OTHER: Finally 17th, by Pâms


Finally 17th

FINALLY 17th
por Pâms

"O que fazer quando seu pesadelo desiste de você?
Por mais que seja difícil acreditar, esquecê-lo não é uma alternativa, afinal pesadelos sempre voltam!!"

O que Continuaçaõ de Finally 16th, que venha os 17 anos...
Gênero: Comédia Romântica
Dimensão: Shortfic
Classificação: PG-15
Aviso: Songfic / POV

ܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔܔܢܜܔ

# Capítulo 1 # Capítulo 2 # Capítulo 3 # Capítulo 4 # Capítulo 5 # Capítulo 6 #

Capítulo 1

“Fecho os olhos, sinto sua respiração e sonho com você
Um sorriso percorre meus lábios, você está respirando comigo agora
Tempo por favor pare, não separe nós dois
Vento pare de soprar, esta é minha última carta para você.”
- Love song / Big Bang

Eu estava estática, aquelas palavras vindas dele que não conseguia se encaixar em nenhuma lógica, segurei as lágrimas enquanto o via se afastar de mim, acho que ainda não tinha caído a fixa que ele tinha mesmo terminado comigo. Não conseguia entender, nem mesmo imaginar o que se passava na cabeça daquele idiota, assim que ele desapareceu no meu campo de visão a primeira lágrima caiu.

Idiota, a única palavra que eu conseguia pensar em classificá-lo, ele disse que não queria me fazer sofrer e o que era aqui mesmo? Ele terminou comigo, e eu estava chorando por isso, quando me dei conta já estava ajoelhada no chão xingando ele, como se fosse me ouvir. Demorou alguns minutos até que minha mãe apareceu, ela ficou meio desesperada por me ver jogada no chão em lágrimas.

— Querida. — ela me ajudou a levantar — O que houve?

— Mãe, se eu matar alguém, seria presa? — perguntei vendo a cena de um possível estrangulamento — Sou de menor.

— Do que está falando? , o que aconteceu?

— Ele é um idiota. — gritei em lágrimas ainda — Aquele idiota, é mesmo um pesadelo.

— O que fez?

— Não quero falar. — me afastei dela e saí correndo na frente.

Nem mesmo o elevador conseguiu acompanhar minha vontade de sumir, subi as escadas correndo e assim que cheguei no apartamento, desapareci no meu quarto, trancando a porta. Não queria ver ninguém, não queria falar com ninguém, só conseguia chorar e pensar o quanto eu queria jogar pela janela, mas estava com raiva de mim mesma por ter começado a gostar dele.

?! , querida abra a porta, fale comigo. — disse minha mãe batendo na porta.

— Não quero! — gritei da cama, naquela altura já estava abraçada ao travesseiro — Me deixa sozinha.

— Querida, preciso entender o que aconteceu.

— Não.

Minha mãe era muito insistente, mas eu era mais teimosa ainda, não abri a porta e nem saí do quarto, aproveitando que o próximo dia seria domingo, teria uma leve desculpa para não sair do quarto. As horas se passaram e no meio da madrugada, senti uma fome descomunal, eu poderia estar triste, depressiva, mas minha fome nunca me abandonava. Saí do quarto e fui até a cozinha preparar algo para comer, meu lanche foi rápido e simples, quando estava voltando para o quarto, minha mãe me parou no corredor e me abraçou. Mesmo não sabendo o motivo real da minha tristeza, ela queria me consolar de alguma forma, omma saranghaeyo!

Me afastei dela, dando um sorriso disfarçado e entrei no quarto, me tranquei novamente para o mundo, fiquei deitada na cama olhando para teto, enquanto segurava as lágrimas. Era impossível não pensar em todos os momentos que tive com ele, desde o nosso esbarrão perto da secretaria até o término sem sentido dele. eu queria odiar ele, mas só conseguia querer voltar o tempo e fazer ele deixar de ser idiota.

— Aish, , como é difícil transformar um pesadelo em sonho, agora aquele idiota virou pesadelo de novo. — bufei um pouco limpando algumas lágrimas que saíam — Você vai ter que esquecer ele, como se fosse possível.

Não, não seria possível esquecer uma pessoa que entrou na minha vida igual o cometa Halley. Minha noite foi sim em claro, em lágrimas e lembranças, como eu consegui ter tantas memórias com ele em um curto espaço de tempo, o conhecia a quase um ano. Pouco tempo para muitas dores, como se faz para não gostar mais de uma pessoa?

O final de semana acabou e na segunda eu tinha aula novamente, pensei mil vezes em inventar uma doença para não ir à escola, sair do clube de basquete, mudar de cidade, mas comecei a pensar que não adiantaria. Por mais que eu quisesse esquecer, ainda sim seria um momento da minha vida, um momento que eu queria estender para sempre, e isso me fazia pensar a pior das ideias, será que ele não gostava de mim de verdade?

— Bom dia. — disse ao se aproximar de mim no portão da escola.

— Fale por você. — disse quase sussurrando.

— O que aconteceu? — ele me olhou, aquilo me fez virar o rosto — Já está com saudades do ex capitão do time de basquete? — ele brincou rindo, mas depois ficou sério quando não dei importância — Vocês dois brigaram?

— Pior. — olhei para , ele era meu amigo e conseguia me abrir para ele, apesar de amar minha mãe, ela às vezes queria resolver por mim — Não existe mais eu e ele.

— Não acredito. — sua cara era de surpresa — Foi ele que terminou?

— Foi. — a resposta foi ainda mais baixa.

— Lamento. — me puxou de leve e me abraçou — Aquele idiota não deveria ter feito isso.

— Diga isso para ele. — sussurrei de novo — Mas vou ficar bem, me dê uma semana de lágrimas, chocolate, potes de sorvete que eu melhoro.

— Não acredito. — ele riu um pouco — Até triste você consegue ser fofa.

— Oppa… — disse Yuri ao se aproximar de nós.
— Ah… Oi Yuri. — disse ele se afastando um pouco de mim.

— O que aconteceu? — ela perguntou ao olhar para mim.

— Nada. — eu sequei uma pequena lágrima que se formou no canto do olho disfarçadamente — Eu vou na biblioteca, vejo vocês na sala.

Traduzindo: “Eu vou no banheiro chorar, vejo vocês na sala.” Me afastei deles indo em direção ao prédio 2, que ficava a biblioteca. Nunca, entrar no privado do banheiro, sentar no vaso e chorar foi tão poético, como agora, eu tinha prometido a mim mesma, antes de sair de casa, que não choraria na escola. Mas como eu iria conseguir essa proeza, pela lógica, eu estava nos primeiros dias de um término, e cada tijolo daquela escola me lembrava ele, um absurdo isso, mas a minha realidade.

“Me lembro quando nos repreenderam
Porque ficamos correndo no corredor da escola
Não sei porque aquilo era tão engraçado
Mesmo quando fomos punidos
Depois daquele dia
Sempre estávamos
Grudados como gêmeos
Você era eu e eu era você.”
- Goodbye Summer / F(x) feat. D.O)

E pensar que no intervalo de todas as aulas ele aparecia sem ser convidado, me arrastando para o clube de basquete, me fazia pegar água sempre que eu tentava sair da quadra, espalhava todas as bolas pra eu sempre ser a última a sair e ele me levar em casa. Como eu conseguiria apagar essas lembranças? Como eu conseguiria passar aquele tempo longe dele? Como ele conseguiu terminar comigo? Eu que alegrava o dia dele.

— Não. — gritei para mim mesma — Foi ele quem terminou, eu me proíbo de ficar pensando nele com dó.

Limpei meu rosto, saí do privado, lavei o rosto e segui em direção a sala, quando fui parada na escadaria por Junhae, tentei me desviar, mas ele me pegou pelo braço de leve me fazendo parar.

— Está com pressa? — perguntou ele segurando o riso.

— Se você não ouviu, o sinal tocou. — dei de ombros, desviando meu olhar para para a escada, olhar para ele me fazia lembrar — Não sou como você que está quase saindo da escola.

— Nossa, que menina mais ríspida. — brincou ele — Não precisa me tratar assim, ainda somos amigos.

— Hum. — o olhei sem interesse — O que você quer?

— Quero saber se está bem. — respondeu ele tranquilamente — Seus olhos estão meio vermelhos, andou chorando?

— O que? — não acredito, será que ele sabia do término? Ele era melhor amigo daquele pesadelo — Estou muito bem, obrigada. Por que o interesse? — agora minha voz estava fria.

— Calma, é que uma pessoa me pediu para perguntar se estava bem. — explicou ele segurando o riso.

Uma pessoa chamada , posso matar?

— Diga a essa pessoa que estou muito bem, tão bem que nem penso mais nela. — desviei meu olhar.

— Tem certeza? Porque seu olhar diz outra coisa.

— Yah!! Diga a ele o que você quiser, eu tenho que ir para a sala. — empurrei ele de leve para que saísse da minha frente e continuei subindo as escadas.

Aish, seus amigos conseguiam me irritar tanto quanto ele, o que me deixava ainda mais louca. Assim que cheguei na sala, o professor ainda estava escrevendo algumas coisas no quarto, acho que eram avisos, pedi licença e entrei já indo rapidamente para minha carteira. me explicou que eram as datas das provas finais e nossas férias, que legal, eu estava tão mal e ainda teria que passar por uma semana de provas. Será que tinha atestado médico para quem terminou o namoro, tipo motivos depressão pós-término ou algo do tipo?

— Você está melhor agora? — perguntou ele ao virar pra trás.

— Estou. — respirei fundo — Só demorei, porque fui parada no meio da escada.

— Ah. — ele ficou me olhando — Você não foi na biblioteca né?

— Pare de fazer perguntas que eu não quero responder, você é meu melhor amigo, não quero mentir para você.

— Hum. — ele riu de leve — E por falar em mentir, tive que contar a Yuri seu problema, mas pedi a ela para guardar segredo.

— Sem problemas, eu sei que a Yuri é um pouco ciumenta. — suspirei fraco desviando meu olhar para o quadro — Ah, acho que vou sofrer em dobro, não queria uma semana de provas, não agora. — me debrucei sobre o caderno querendo chorar.

— Não se desespere, você tem a mim, os amigos servem para te ajudar a estudar.

— Por um segundo, pensei que você diria que os amigos servem para passar cola. — levantei a face e o olhei.

ficou fazendo alguns comentários engraçados, sobre minhas possíveis respostas nas questões abertas da prova, só ele para me fazer rir num momento de desespero. Mesmo não querendo, me convenceu a continuar no clube de basquete, ele disse que precisava de mim para ajudá-lo com os novos membros. Os dias se passaram, e quanto mais eu queria me afastar, mais ele me enchia em tarefas, que ele era o novo capitão.

— Me deixa ir embora. — reclamei pegando mais uma bola que ele tinha mandado na cesta, parecia mesmo empenhado em se preparar para o próximo ano — Você já foi mais legal.

— Desculpa, . — parou me olhando enquanto segurava o riso — Eu juro que é a última cesta. — se posicionando ele lançou a bola que caiu perfeitamente dentro da cesta.

— Você não deveria treinar tanto, nem teremos mais jogos, só no próximo ano.

— E sempre bom praticar. — ele riu — Para manter a boa forma.

— Não vejo nenhum lado bom nisso, eu que sempre tenho que ficar. — peguei a bola que ele tinha jogado e coloquei junto com as outras — Você tem uma namorada, porque ela não está aqui?

— Você sabe que basquete e Yuri não se dão bem na mesma frase. — ele caminhou até a mochila — Ela até tentou, mas clube de leitura funciona mais com ela.

— Não me convenceu. — peguei minha mochila que estava na arquibancada e caminhei até a porta.

— Deixa de ser chata. — ele pegou a mochila dele e me seguiu até a porta — Vai me dizer que ficar em casa chorando é melhor?

— Ficar em casa sim, chorando não. — respondi suspirando um pouco — Podemos ir agora?

— Sim. — ele riu novamente — Ah, ia me esquecendo, o convite chegou na minha casa.

— Que convite? — olhei sem entender.

— Do seu aniversário. — ele me olhou surpreso por eu não saber — Você não mandou?

— Minha mãe. — conclui — Acho que ela já está se preparando para isso, e ainda faltam alguns meses.

— Não é todo dia que fazemos 17 anos.

— Não estou animada para isso. — dei de ombros andando em direção ao portão.

— Mas, e o natal? — perguntou ele.

— O que tem?

— Minha mãe está planejando fazer uma comemoração entre amigos, talvez ela convide sua família.

— Talvez? — eu o olhei quase indignada — Somos amigos, você é obrigado a colocar minha família na lista de convidados.

— Ah, agora você se animou.

— Natal é legal, gosto de ver filmes.

— Hum, não sei se você vai ficar mais animada quando souber quem vai também. — sibilou ele.

— Quem vai? — o olhei curiosa, pedindo a Deus para não ser quem eu estava pensando.

— Seu pesadelo.

— Mudei de ideia, odeio o natal.

Fomos em direção ao metrô, com ele rindo da minha cara, mas eu realmente não estava preparada para ficar em um mesmo ambiente que .

 

“Isso não pode ser removido como uma tatuagem
Eu suspiro profundamente como se o chão estivesse desabando.”
- Haru Haru / Big Bang


Capítulo 2

“Provavelmente não faço parte do seu dia,
E nem devo estar no seu pensamento,
Mais eu passo meus dias pensando em você,
E minhas lágrimas continuam caindo.”
- Because I'm Stupid / Boys Over Flowers OST (KHJ)

Os dias foram passando e com eles, minha preparação para as provas finais, eu já não sabia se chorava mais por causa do pesadelo ou das provas que estavam se tornando outro pesadelo. A vida não estava ajudando aqueles dias e para piorar, me bateu uma tpm que me fazia querer matar até quando ria da minha cara.

Enfim a semana de provas tinha chegado, por sorte eu tinha mesmo um melhor amigo que estava me dando todo suporte nos últimos dias de quase depressão. E apesar dos constantes olhares de ciúmes de Yuri, nossa amizade continuava a mesma, até ela estava me apoiando aqueles dias. Tenho que admitir que foi uma surpresa ela ter me chamado para uma festa do pijama na sua casa, certo que foi somente nós duas e passamos a madrugada vendo minidramas colegiais, mas até que foi legal.

— Animada para hoje? — perguntou se sentando na minha frente.
— Me faça essa pergunta daqui um mês e eu respondo. — olhei para a janela suspirando franco, vi a Prince Line reunida em um banco conversando — Não tinha mesmo coisa melhor para aparecer nesse pátio.
— Vire seu rosto para o quadro. — sugeriu ele rindo de mim — Mas, você está com um olhar de, hum... Está faltando algo nesse pátio.
— Yah, pare de tentar ler meus olhares, você é meu amigo, tem que me ajudar e não pior as coisas. — cruzei os braços e o olhei séria.
— Desculpa, só fui sincero. — ele riu novamente — Hum, depois das provas, pelo menos teremos nossas férias, e o natal.
— Não me lembra desse natal, que estou querendo explodir a ceia. — descruzei os braços e abri a mochila retirando a bolsinha de lápis.
— Garota, que tanto ódio no coração. — ele se virou para frente rindo — Você fala como se lá no fundo, não quisesse mesmo ver ele, mas no final você quer, nem que seja para bater nele.

Isso era verdade, mas eu faria mais do que bater, eu faria o que 100% das pessoas odiavam ser, eu iria ignorar por completo como se ele não existisse. Assim que o sinal bateu, o professor entrou na sala, me veio até um frio na barriga quando ele me entregou a prova. Respirei fundo e parti pra guerra, tinha que tirar uma boa nota para passar com meu índice de aproveitamento no topo, aquilo iria direto para meu currículo acadêmico junto com os elogios do treinador do time de basquete, eu era a melhor auxiliar que ele havia tido até aquele momento.

Nunca uma semana de aula passou tão devagar assim, a cada dia de prova era um fuzilamento a mais, eu até poderia estar exagerando, mas eu nunca tinha imaginado que as provas de escolas coreanas fossem tão level HARD. E finalmente na sexta, após a última leva de provas, eu a saímos da sala entre risos e piadas da parte dele.

Yuri estava do seu lado de braços dados com ele, enquanto eu estava do outro lado rindo da minha ironia de achar que estava indo bem e ao mesmo tempo mal.

— Ah... Finalmente estou livre!!! — disse um pouco alto abrindo os braços de leve.
— Livre? — Junhae se aproximou de mim colocando seu braço envolvendo meu pescoço e rindo — Acha mesmo que férias significa liberdade?
— Claro que sim. — me virei para esse afirmando — Por exemplo, estarei livre da Prince Line.
— Acha mesmo? — ele riu ainda mais — E por falar nisso, animada para o natal?
— Ha... Ha... Ha... — desviei meu olhar para frente — Está querendo o que, substituir alguém?
— Claro que não, aquele que não deve ser nomeado é insubstituível. — brincou ele.
— Todas as pessoas no mundo são, principalmente ele. — o olhei novamente — Já ouviu o termo, a fila anda?
— Hum, isso é uma previsão para o futuro? — Junhae me olhou confuso.
— Só estou dizendo que ele não faz mais falta na minha vida, minhas duas semanas de depressão passou graças as provas finais. — expliquei de forma tranquila e serena.
— É, você realmente parece estar bem.
— Estou maravilhosamente bem. — assenti retirando seu braço do meu ombro e seguindo na frente.

Yeah!!! Agora eu iria deixar se remoendo de remoço, e estava me sentindo completamente bem por isso. Quando cheguei em casa, encontrei um bilhete da minha mãe, ela estava na casa da mãe de planejando a ceia de natal, se eu soubesse tinha ido com ele para casa dele. Olhei pelos cômodos da casa e não havia mais ninguém, certamente papai estava no trabalho e Jinho teria ido com ela, ele já estava de férias desde a semana passada, sortudo.

— Ah, que estranho estar sozinha em casa. — respirei fundo indo para meu quarto — O que vou fazer agora?

Tomei uma ducha rápida e troquei de roupa, liguei meu notebook e chequei meus e-mails, tinha um testamento da Priscila contando sobre seus planos para as férias no final do ano e sua experiência de ter feito a prova do ENEM, mal sabia ela que existia coisa pior. Eu enviei outro e-mail de resposta, abri o link da Netflix e comecei a ver Descendants of the Sun, estava mesmo pensando em outras coisas, principalmente em como iria preencher meus dias, já que o clube de basquete estava temporariamente fechado.

Não sei se era para pagar minha língua, mas tinha que admitir que continuar no clube salvava minhas tardes livres e manhãs tediosas, além de sempre chegar tarde em casa e já ir direto para a cama. A parte ruim, era cansativo, a parte boa, era cansativo, e me dava motivos suficientes para não pensar em pessoas indesejadas. Meus primeiros dias em casa era repletos de maratonas na Netflix, que duravam o dia e a noite toda, eu somente parava para comer e ir ao banheiro, percebi que todas as minhas séries, animes e doramas favoritos estavam atrasadas.

“O meu amor não consegue te alcançar
Tanto quanto as lágrimas que já derramei, ainda vão demorar pra alcançar
Eu tenho que te esquecer, sinto tanto a sua falta
Mesmo que você nunca saiba como dói, eu esquecerei.”
- Miss You / SM The Ballad

Trancada no quarto, as horas se passaram e eu adormecia sempre no meio dos episódios, era a madrugada de sexta e estava desmaiada na cama, quando acordei, meu notebook estava desligado, ao lado da cama tinha uma bandeja com um lanche. Aquilo era sinal de que minha mãe tinha passado no meu quarto, me espreguicei de leve e comi tudo que ela tinha deixado, estava mesmo com fome.

Ao amanhecer acordei com um fundo musical soando pela casa, minha mãe estava animada e ouvindo os clássicos dos anos 80, coisa que ela não fazia a muito tempo. Quando cheguei na cozinha ela estava dançando com Jinho, ao som de Dirty Dance, como se aquele pequeno espaço da cozinha fosse uma pista de dança, eu encostei na porta rindo e olhando eles. Assim que minha mãe percebeu minha presenta, me puxou para o meio da cozinha me fazendo dançar com eles, como negar a um pedido da minha mãe mesmo?

— Ah, fazia tempos que eu não me divertia tanto com vocês. — disse ela nos abraçando apertado.
— Calma omma, assim vai nos sufocar. — reclamou Jinho.
— Deixa de ser fresco, amor de mãe não mata. — disse rindo dele.
— Ouviu? — ela o olhou — Escute sua irmã.
— O que deu na senhora para estar dançando na cozinha a essa hora da manhã? — perguntei me sentando na cadeira.
— Ando percebendo que algumas pessoas dessa casa precisam simplesmente sorrir, sem precisar de motivos. — explicou ela abrindo a geladeira de forma tranquila.
— Ui, peguei a indireta. — eu ri desviando meu olhar para Jinho.
— Então, você vai contar o que ouve? — perguntou ele se sentando ao meu lado — Isso tudo é saudade do hyung?
— Antes fosse. — respirei fundo — Eu e ...

Pensei um pouco, se ele não tinha tido a coragem de dizer a todos que não estávamos namorando, porque eu teria que fazer isso, não mesmo, o idiota foi ele. Me levantei da cadeira e ajudei minha mãe a arrumar a mesa do café, inacreditavelmente naquele dia meu pai estava em casa. Fizemos um longo programa em família e visitamos o Daejon Park, com direito a piquenique e jogos de cartas, algo tradicional, mas que eu estava sentindo falta, minha família também me fazia sorrir.

— Hum?! Yeoboseyo! — disse ao atender meu celular.
— Oi . — disse da outra linha — Finalmente me atendeu.
— O que você está fazendo me ligando a essa hora? É sábado! — disse rindo — Não deveria estar com sua namorada?
— Eu estou com minha namorada. — ele riu — Mas, é que acabei de receber um convite para uma partida especial de basquete, e preciso de você.
— Como assim você precisa de mim? O capitão do time da escola aqui é você. — retruquei.
— Mas você é a auxiliar que tanto me ajuda e me dá forças, sou seu melhor amigo.
— A Yuri não pode mesmo suprir essa necessidade? — perguntei me afastando um pouco da minha família no parque.
— Não, eu preciso de você, você é do time também.
— Yah, seu chato. — suspirei fraco — Me manda o endereço, estou indo.
— Ok.

Eu desliguei a ligação, e voltei para perto da minha família, como é que eu iria explicar aos meus pais, que eu teria que comparecer a um jogo de basquete àquela hora da tarde? Mas tive e meu pai assentiu a minha ida, me dando a grana para o táxi. Assim que cheguei em frente ao Daejon University avistei e Yuri, me esperando.

— Yah, como pode me ligar me pedindo para me deslocar assim. — disse ao me aproximar empurrando ele — Me desculpa Yuri, mas seu namorado é um folgado.
— Eu sei. — ela riu dele — Mas ele não pode recusar.
— E de onde veio esse convite?
— O time universitário da Korea University está fazendo uma grande conferência com os melhores times de universidades do mundo, e um time universitário americano soube do grande destaque do nosso time nesse ano. — explicou ele — Sejamos sinceros, quebramos muitos recordes para um time do colegial.
— E? — o olhei desinteressada.
— Esse time americano soube, eles nos desafiaram a uma partida. — ele respirou fundo — Junhae me ligou hoje na hora do almoço, ele aceitou o desafio e eu nem tive chance de recusar.
— Que espécie de capitão é você?
— Juro, eu realmente tentei. — ele me olhou com uma carinha de inocente.
— Como você consegue namorar ele? — olhei para Yuri — Ele está arruinando seu sábado.
— Ele me prometeu não falar sobre basquete durante as férias todas. — explicou ela segurando o riso.
— E você ainda acredita? — desviei meu olhar para ele.
— Yah, pare de querer acabar com meu namoro. — reclamou ele.
— Unnie, oppa disse que falaria sobre isso só com você. — ela riu de mim.
— Vocês dois se merecem mesmo.
— Uah, aqui estão. — disse Junhae ao se aproximar — Estávamos esperando vocês.
— A acabou de chegar. — explicou .
— Ainda acho que eu não deveria nem estar aqui. — retruquei cruzando os braços — Estava tendo um maravilhoso sábado no parque com minha família.
— Só porque não joga, não quer dizer que não faça parte do time. — disse uma voz vinda de traz de mim, eu reconhecia aquela voz — Vamos, vocês estão atrasados.

Assim que passou por mim, senti um frio na barriga, meu coração acelerou e minha perna bambeou um pouco. Seu corte de cabelo estava um pouco diferente, suas roupas mais adultas e sua postura mais madura, até sua voz estava mais firme que o normal.

Acho que a universidade estava fazendo muito bem a alguém, e já estava prevendo que eu não conseguiria sair viva daquele jogo.

 

“Mesmo se você evitar o meu olhar,
Mesmo se você ficar trocando de assunto,
Você não pode esconder esses seus sentimentos, yeah
Quer que eu tente adivinhar seus sentimentos?
O tambor e baixo daqui e as minhas palavras,
Fazem o seu coração bater.”
- Don't Lie / SM The Ballad (feat. Henry Lau)

 


Capítulo 3

"Por que é você? Eu estou ficando louco
O que é isso? Acho que me apaixonei por você
Todo dia na minha cabeça
Tudo gira
Um ponto de interrogação, todos os dias
Eu sei que você tem espinhos
Mas eu quero você, rosa vermelha."
- Beautiful / MONSTA X

Todos os garotos foram na frente, enquanto eu e Yuri ficamos um pouco mais afastadas, meu olhar estava somente em , como ele tinha coragem de aparecer assim e nem me dar um boa tarde. Típico daquele pesadelo ridículo que um dia eu tive como namorado.

— Unnie, você precisa disfarçar melhor seu olhar. — disse Yuri segurando o riso.
— Não consigo, estou com uma vontade imensa de esganá-lo.
— Sei. — ela riu um pouco.

Caminhamos um pouco mais até chegarmos na quadra profissional da universidade, se afastou de nós e foi até os outros integrantes do time americano, enquanto isso estava se reunindo com os meninos da Prince Line. Yuri se sentou na arquibancada, enquanto isso eu caminhei até uma garota que estava ao lado da porta dos vestiários.

— Oi. — disse em cumprimento.
— Oi, você deve ser a não é? — a menina me olhou tranquilamente.
— Sim, você me conhece? — achei aquilo meio estranho.
— Não, mas ouço sobre você todos os dias. — ela riu um pouco — Eu sou auxiliar do time da Universidade de Harvard, e o fala de você em todos os treinos.
— O que? — não acreditava naquilo.
— Está surpresa não é?! — ela riu um pouco — Deve ser divertido namorar ele.
— Hum?! — eu a olhei embasbacada, o que aquilo significava?

Respirei fundo mantendo minha sanidade mental intacta, a vida de não importava mais para mim, e nem se alguma menina ridícula queria namorar ele. Mas isso não impedia minha mente de fazer perguntas banais como, será que ela tinha entrado no time da mesma forma que eu?

— Vai ficar para aí? — disse ao se aproximar de nós — Ou se esqueceu de como é a função de uma auxiliar?
— Está falando comigo? — eu o olhei com deboche.
— E com quem mais séria? — aquela cara de sínico dele me fazia querer enforcar e ao mesmo tempo agarrar ele.
— Desculpa, mas time errado. — eu me desviei dele indo em direção ao time da minha escola.

Eu ouvi algumas risadas baixas vindo dele, queria muito que provasse do seu próprio veneno. Esperei um pouco os meninos voltarem do vestiário com roupas mais apropriadas para jogar, assim que me posicionei ao lado de abri um largo sorriso olhando para eles.

— Por que será que estou sentindo que o duelo de titãs não vai ser na quadra? — disse MiJun segurando o riso.
— Estou com medo de não conseguir chegar vivo até o final. — Junhae riu baixo desviando seu olhar para trás de mim.
— Essa indireta eu não peguei. — cruzei meus braços — Agora façam a parte de vocês e vençam.
— Quando a isso nem precisa dizer. — MinSoo me olhou com um sorriso malicioso — Temos nosso orgulho, não vamos entregar esse jogo.
— Vamos lá. — disse rindo um pouco também.

Eu fiquei um pouco animada com as palavras positivas deles, aquele era meu time e de uma certa forma eu queria que ganhassem, para ser sincera era a primeira vez que estava torcendo contra . Eu caminhei até Yuri e me sentei ao seu lado, de onde estava conseguia ver e a outra auxiliar entre risos e conversas, claro que eu percebia seus olhares estratégicos para mim.

Eu não me importava, ou pelo menos fingia muito bem, tanto que por uma fração de segundo meus olhos ficaram fixados no pivô do time dele que era loiro e bonito, fiz alguns comentários para Yuri que ficou rindo de mim. A partida começou e Hwang, nosso garoto prodígio conseguiu pegar a bola primeiro, o primeiro ponto foi garantido com a cesta de três pontos de .

Para minha tristeza devolveu na mesma moeda com o lance seguinte, por dentro eu não sabia se xingava ou aplaudia, ele estava ainda mais afiado e preciso em seus arremessos. Filha da... Como ele podia estar assim tão, tão... Parecia até aquelas evoluções milagrosas de doramas que em um capítulo o personagem se torna ainda mais maravilhoso do que já é.

Foi isso que aconteceu com ? Que ele sempre teria que ser o melhor e se destacar entre todos era um fato, graças as exigências do seu pai, mas não precisava ficar ainda mais charmoso. Aquilo era de mais para mim, a cada cesta que ele fazia, seu olhar vinha direto para mim, sendo seguido por uma piscada sedutora e um sorriso singelo.

— Me mata com a faca da cozinha que dói menos. — sussurrei para mim mesma após mais uma cesta dele.
— Até que o jogo está equilibrado, pensei que seríamos massacrados. — comentou Yuri — e está jogando a nível universitário, que louco parece até que joga com eles a muito tempo.
— Sim, ele está mesmo sincronizado com o time americano. — tinha que admitir a realidade que me arrancava os suspiros.

“Não sorria para mim,
Se eu me apegar a você, ficarei triste,
Tenho medo de que um belo sorriso se transforme em lágrimas.”
- Let's Not Fall In Love / Big Bang

Eles estavam jogando no estilo da NBA, quatro tempos de 12 minutos com dois minutos de pausa, e sempre que tinha a pausa eu entrava em ação levando água e toalha para os jogadores do meu time. Na pausa do terceiro para o último tempo, estava tenso e muito cansado, mas no seu rosto eu conseguia perceber que ele estava se divertindo muito.

Para alguém que sempre passava horas jogando videogame, ele tinha mudado muito depois que entrou para o time de basquete. E eu estava ainda mais impressionada com os membros da Prince Line, eles estavam jogando quase no mesmo nível de .

— Então, não podemos deixar eles ditarem as regras. — disse me entregando a garrafa de água — vamos mostrar a eles que estamos no mesmo nível.
— Isso aí capitão. — concordou Junhae sorrindo, ele também parecia animado para virar o placar.

E eu estava me divertindo com aquela parte do jogo, eu coloquei as toalhas no lugar e arrastei Yuri para me ajudar a encher as garrafinhas com mais água. Quando voltamos já tinha passado quatro minutos do jogo, o equilíbrio ainda se mantinha, mas o time da escola não conseguia ultrapassar o time americano. Aquele placar foi se arrastando até o último lance do jogo com finalizando com uma cesta de três pontos.

Se eu estava decepcionada? Magina, eu estava frustrada por meu time ter perdido e não sabia o que sentir por ter ganhado. Após o apito final, eu me levantei e saí da quadra sem que percebessem, precisava tomar um ar, Yuri veio atrás de mim, acho que estava preocupada comigo e minha sanidade mental.

— Está tudo bem unnie? — perguntou ela.
— Sim. — eu respirei fundo desviando meu olhar para o pequeno jardim que tinha próximo a quadra — Só não esperava um jogo a nível profissional.
— Então é assim que jogam na universidade. — afirmou ela — Que legal, e estou tão feliz, oppa jogou tão bem.
— Ele realmente tem talento pra isso. — concordei.

Ela concordou com a face e sorriu, os dois era tão fofos junto, meu amigo tinha sorte por ter uma namorada como ela. Passamos alguns minutos falando sobre a universidade, ela ainda estava indecisa entre ficar em Daejon ou ir para Seoul, mas que estava disposta a escolher um caminho que pudesse seguir com . Aquilo me deixou ainda derretida, aquele sim era um shipp que me emocionava, porém eu notei que em alguns momentos ela queria me perguntar algo.

— Está tudo bem Yuri?!
— Hum, sim. — ela sorriu disfarçadamente — só que, estou curiosa para saber como está agora, depois de ter visto ele.
— Ah. — eu ri — Eu estou totalmente bem, até que esse jogo foi bom.
— Foi? Mas e oppa?!
— Ele? — eu ri — Foi como se não tivesse lá, estava mesmo concentrada naquele pivô loiro, estou me perguntando se ele tem olhos azuis.
— Então você gosta de loiros? — enfim aquela voz que brota do submundo apareceu atrás de mim.
— Percebi que tenho que refinar meus gostos para garotos. — respondi com ironia.
— Não foi o que perguntei. — retrucou ele.
— Eu vou procurar o oppa. — disse Yuri já se afastando de nós, acho que até ela tinha medo daquele “duelo de titãs”.
— Achou mesmo que seria sempre o centro das atenções? — o confrontei.
— Não, não quero a atenção de todos, só de uma pessoa. — seu olhar estava fixo em mim e o pior, eu conseguia enxergar sinceridade ali — Mas acho que nunca mais terei.

Uau, aquelas palavras tinha me pegado de surpresa, e eu odiava aquela parte dele que sempre me silenciava. Desviei meu olhar para o lado tentando não encarar ele, mais que droga, eu tinha superado ele, eu tinha.

— Você não deveria estar em outro lugar? — perguntei mantendo minha face meio abaixada.
— Vim agradecer. — disse ele serenamente.
— O que? — minha face se movei automaticamente e eu o olhei não entendendo mais nada.
— Você é meu amuleto da sorte lembra? — ele sorriu de canto, fazendo meu coração se arrepiar.
— Você ainda leva isso a sério. — eu dei um riso forçado desviando meu olhar para o lado.
— Porque não deveria? — sua voz mesmo suave passava um tom de seriedade — ?!
— O que? — eu o olhei novamente — Pare de falar meu nome, você nunca foi assim.
— Pare de agir assim. — ele sorriu de canto novamente e pegando na minha mão me puxou para cima dele, me abraçando — Pare de agir como se não se importasse e me deixe te agradecer.

Eu tentei me afastar dele, porém quanto mais eu o empurrava, mais ele aproximava nossos corpos e sentir aquele perfume, não estava me fazendo nenhum pouco bem.

. — eu sussurrei — Por que está fazendo isso comigo?
— Mianheyo. — sussurrou ele no meu ouvido — Eu sou muito egoísta, pensei que você conseguiria viver sem mim, mas sou eu que não consigo viver sem você.

E como estava minha perna naquele momento? Eu nem sentia elas, eu não sentia mais nada, só meu coração acelerado!

 

"Quando você me toca, meu corpo inteiro reage,
Eu só posso viver se você está aqui,
Todo dia toda noite,
Eu posso sentir você."
- Beautiful / MONSTA X


Capítulo 4

“Por favor, permita-me entrar,
Em seu coração, a qualquer hora que eu quiser.”
- My little princess / TVXQ (DBSK)

Ficamos alguns minutos abraçados, quanto mais eu tentava me afastar, mais ele me trazia para perto de seu corpo. Como eu conseguiria sustentar minha sanidade mental com aquele perfume maravilhoso, sentir seu abraço era um gatilho ainda maior para meu coração acelerar, crueldade comigo.

— Hum. — resmungou uma voz ao nosso lado tossindo.

se afastou um pouco de mim, olhamos para o lado e estavam todos nos encarando, eu respirei fundo colocando a mão na cara de vergonha olhando para chão. Ele estava segurando o riso, certamente amando aquela situação entre nós dois, todos seguraram os risos e as piadas, acho que no fundo eram solidários ao couple mais complicado daquele grupo.

— Agora que a partida acabou, os veteranos vencedores poderia nos pagar uma pizza. — sugeriu MiJun.
— Concordo, estou sentindo um vazio grande aqui. — Hwang brincou colocando a mão na barriga.
— O que você acha capitão? — olhou para o garoto ruivo.
— Acho que eles merecem. — o garoto riu — Jogaram muito bem.
— Seu antigo time é muito bom, . — elogiou o outro garoto de jaqueta de couro.
— Eu sei. — ele sorriu desviando seu olhar para mim — E além do mais deixei um bom capitão no meu lugar.
— Agradeço o reconhecimento. — riu segurando na mão de Yuri.
— Somos os melhores de Daejon. — afirmou Junseo.
— Mas com uma auxiliar como a de vocês, certamente deve haver motivos para ser os melhores. — o pivô loiro lançou um olhar para mim.

Todos ficaram em silêncio, eu desviei meu olhar para o lado como se não fosse comigo, mas tinha a plena certeza que os olhares de todos estavam em mim e .

— Então, nós vamos boys? Ou preferem ficar aqui parados? — disse a auxiliar do time da universidade.
— Verdade Louise, vamos antes que eu desista de pagar. — anunciou o garoto ruivo pegando sua mochila com o outro garoto de características latinas que estava de boné preto.
— Tenho que admitir, estou com fome também. — o garoto de jaqueta se espreguiçou saindo na frente com o capitão.
— Eu vou pra casa. — disse num tom meio baixo, permanecendo parada.

Todos me olharam surpresos, mantinha seu olhar para a rua.

— Por que unnie? — Yuri se aproximou de mim — Está tudo bem?
— Sim. — assenti — Mas preciso mesmo voltar, meus pais só deixaram participar do jogo.
— Se quiser posso te acompanhar. — disse .
— Não, você estragou seu encontro e agora quer deixar sua namorada? — eu o olhei — Estarei bem sozinha.
— Eu te levo. — disse , sua voz estava um pouco áspera e fria.
— Eu não quero atrapalhar... — comecei a recusar.
— Já disse que te levo. — ele segurou em minha mão me puxando de leve para sairmos na frente.
... — eu fui o seguindo olhando para trás em alguns momentos, o espanto estava na face de todos.

Caminhamos pela universidade até chegarmos na terceira portaria, soltou minha mão e se aproximou de uma moto que estava parada, ele pegou um dos capacetes e esticou para mim.

— Desde quando você tem uma moto? — perguntei pegando o capacete.
— Já faz um tempo. — ele sorriu de canto colocando seu capacete e montando na moto — Sobe.
— Mas e a sua comemoração? Seus amigos da universidade. — perguntei permanecendo parada o olhando.
— Desde quando eu ligo para comemorações? — ele levantou a aba do visor do capacete, seu olhar veio fundo em mim.
— Mas... — insisti.
— Pare de tentar fazer sua companhia ser indesejada, estou fazendo isso porque prefiro estar com você do que com eles. — ele foi bem direto — Agora sobe.

Eu disfarcei meu sorriso de satisfação, não daria o braço a torcer e perdoar ele tão facilmente, mas estava feliz por suas palavras. Aquilo tinha me feito pensar no que a tal Louise disse, falava de mim sempre e em todos os treinos, isso significava que ele realmente sentia algo por mim, algo verdadeiro, só era idiota o bastante para tomar decisões erradas.

Subi na moto sem fazer mais nenhum questionamento, ele deu a partida e seguiu, eu estava controlando minhas emoções internas, ainda mais porque tinha que ficar com meus braços envolvidos na sua cintura.  

— Segura mais forte. — disse ele após uma curva.
— Para onde realmente está me levando? — perguntei — Esse não é o caminho da minha casa.
— Não se preocupe, não vou te sequestrar. — brincou ele — Não que eu não queira, mas infelizmente nem tudo que eu quero, eu posso fazer.
— Hum?! — aquilo tinha me deixado desnorteada.

Ele falou isso no geral por causa do seu pai, ou ele realmente queria me sequestrar?

— Porque você me sequestraria? — perguntei.
— Você ainda pergunta. — respondeu ele num tom sério.

Será que ele tinha mesmo ficado com ciúmes de mim? Eu estava adorando essa minha teoria, ele ficava tão fofo quando estava com ciúmes de mim. Mais algumas curvas e aceleração depois, ele parou perto do passeio. Estávamos próximo ao mirante da cidade, descemos da moto e caminhamos um pouco uma pequena trilha até chegar no mirante.

Já estava no final da tarde e o sol estava se pondo, a paisagem estava linda e uma parte da cidade podia ser vista daquele lugar, parou atrás de mim e segurou em minha mão de leve. Aquela parte dele de cachorro sem dono me deixava sem ar, mas eu tinha que ser forte, não cederia assim tão fácil.

— O que achou? — perguntou ele.
— Tirando a falta de comida, tenho que admitir que esta vista é bem melhor do que uma comemoração com pizza. — ri de leve.
— Hum.
— O que foi? — eu o olhei.
— Pensei que você fosse dizer que sim, estar comigo é bem melhor. — sua cara era de frustração.
— Você sabe que seu nível de confiança comigo está bem baixo. — fui direta e sincera.
— Eu sou idiota não é?
— Só agora você percebeu? — coloquei a mão na cintura.
— O que você faz? Como consegue ficar tão linda quando está brava comigo.
— O que? — era brava e indignada.

nem deu tempo, deu impulso e me beijou sem a menor cerimônia. Wae??? Por que ele teve que fazer aquilo?? Meu coração acelerou, seu beijo ainda tinha o mesmo gosto doce que eu me lembrava, não sei o que era pior ceder tão facilmente ou lutar contra, ainda mais com seus braços envolvidos ao meu redor.

Estava tão confortável para mim, que por alguns instantes era como se nossa separação nunca tivesse acontecido, mas aconteceu e as minhas lágrimas tinham muito valor. Por isso ele teria que lutar muito para me reconquistar e claro que eu já sabia seu ponto fraco, o pivô loiro que tinha me elogiado indiretamente.

. — eu o empurrei de leve — Não temos mais um compromisso.
— Me desculpe. — ele deu um passo para trás — Nunca mais farei isso, a menos que você peça.

“Eu já abri o meu coração para você há muito tempo,
Você é tudo para mim, esse é o meu jeito de confirmar,
Eu deveria ser cuidadoso e me amar mais, desse jeito eu nunca irei me machucar.”
- My Answer / EXO

Deu para perceber que ele estava se remoendo naquele momento, relembrar a realidade do nosso rompimento era como um despertar para ele, o que fazia com que se sentisse ainda mais mal por isso. Eu já conseguia ler os olhares e as reações faciais de , ele estava amargurado por ter terminado comigo e sabia que voltarmos de fato não seria fácil.

Ele teria que traçar um longo caminho para voltar ao meu coração, bem ele nunca saiu, mas tinha que merecer ficar no primeiro degrau. Ficamos um bom tempo em silêncio, vendo a cada instante o céu ficar mais escuro, voltamos para sua moto e finalmente ele me levou para casa.

Para nossa surpresa, esbarramos com seu pai e meu pai no hall de entrada, se tivéssemos combinado não teria dado certo, subimos todos para o meu andar, fez uma breve parada no apartamento do professor. Enquanto isso seguimos para o meu, papai e o senhor Dongho ficaram na sala conversando, papai estava empolgado com o novo projeto da empresa que fazia parceria com a empresa do senhor Dongho.

Jinho estava ajudando a mamãe na cozinha, enquanto isso eu fui tomar um banho, até a hora que me tranquei no quarto, não tinha aparecido. Enrolei um pouco para escolher uma roupa para vestir, mas acabei optando pelo básico e confortável moletom de hoje e sempre. Quando saí do quarto e cheguei na sala, já estava jogando no Xbox com Jinho, papai e o senhor Dongho estavam na varanda relembrando algumas histórias de crianças deles.

Minha mãe me puxou pelo braço me levando para a cozinha, eu a ajudei a organizar os pratos na mesa, ela estava se segurando para me perguntar sobre a visita de . Mas meus pensamentos estavam tão distantes, estavam naquele beijo sem propósito que ele tinha me dado, era mais o beijo da insanidade, porque minha saúde mental já estava afetada.

— Está tudo bem? — perguntou minha mãe.
— Sim, estou. — assenti mantendo minha atenção para a mesa.
— Vou chamar os outros. — disse ela.

Concordei com a face me sentando na cadeira, se ele se sentaria ou não ao meu lado, seria uma incógnita. Todos se reuniram à mesa, e se sentou ao meu lado, do outro estava minha mãe, respirei fundo e tentei ser o mais normal possível, não queria levantar nenhum questionamento de ninguém naquele momento.

— O jantar estava maravilhoso como sempre, obrigado pela comida. — disse se curvando de leve.
— Ah, que bom que gostou. — minha mãe sorriu em agradecimento.
— Sim, você é um homem de sorte Joong, sua esposa além de bonita cozinha muito bem. — elogiou o senhor Dongho.
— Seu filho também tem sorte, minha filha cozinha tão bem quanto eu. — disse minha mãe sorrindo meio envergonhada.

Eu me mantive estática, meu olhar estava no prato e continuou, estava com meu coração acelerado, se tivesse contado ao pai dele, meus pais saberiam naquele momento. Tanto eu como a outra parte envolvida estávamos em silêncio, sem saber o que fazer ou falar, olhei de relance para o lado, também estava imóvel.

— Ah, sim, e ela é tão bonita quanto a mãe, acho que só pegou a sua genética. — brincou o senhor Dongho — Porque o Joong não é bonito.
— Claro que sou. — retrucou meu pai — Foi meu charme que conquistou essa bela mulher.
— Pare vocês dois, estou ficando sem graça com tantos elogios.

Eu não sabia se fica aliviada ou apreensiva, mas estava admirada de como superficialmente o pai de era gentil e carismático, nem parecia aquele homem que causava todo o tormento na vida do filho. Após o jantar, minha mãe nos liberou da cozinha, os adultos iria arrumar tudo, Jinho para o quarto, ele iria ver um campeonato de LoL que iria passar na tv.

foi para a varanda, eu fiquei alguns minutos pensando se deveria ir ou não atrás dele, tomei um pouco de coragem e fui.

— Pensei que não viria. — sussurrou ele de braços cruzados encostado no beiral me olhando.
— Não posso deixar a visita sozinha. — expliquei.
— Vou acreditar nessa teoria. — ele riu — Você não contou, aos seus pais.
— Nem você contou ao seu. — retruquei.
— Eu não costumo conversar com meu pai, para ser sincero só trocamos palavras quando necessário. — ele se virou em direção à rua mantendo seu olhar no horizonte.
— Deve ser complicado isso. — comentei me aproximando, ficando ao seu lado — Você quer que eu conte a eles?
— Você quer contar? — ele desviou seu olhar para mim.

Aquela era uma boa questão, estávamos separados, mas nenhum dos dois queria que as pessoas soubessem, talvez pela esperança que voltarmos a estar juntos um dia.

 

"Para provar nosso amor
Mesmo quando estou ferido, mesmo quando eu caio, ela é a única
Que permanece do meu lado."
- From U / Super Junior


Capítulo 5

“Você não pode esconder esses seus sentimentos, yeah
Quer que eu tente adivinhar seus sentimentos?”
- Don't Lie / SM The Ballad (feat. Henry Lau)

Ficamos nos olhando por um longo tempo, até que nossos pais entraram na sala e o senhor Dongho chamou para irem embora. se aproximou de mim com suavidade e por um breve momento, ele encostou seus lábios em minha testa, demorou alguns instantes, mas logo se afastou indo em direção a porta.

Eu fiquei mais alguns minutos na varanda olhando a rua, depois voltei para meu quarto e troquei de roupa colocando meu pijama. Logo minha mãe bateu de leve na porta, perguntando se poderia entrar.
— Querida?! — disse ela entrando — Está tudo bem?
— Sim. — assenti ao sentar na cama.
— Não é o que estou vendo, pensei que ficaria feliz ao ver . — disse ela entrando e fechando a porta — Mas seu olhar está triste.
— Só estou um pouco cansada. — me espreguicei de leve — Foi um dia longo e cheio de surpresas, não estava preparada para tudo que aconteceu, mas tenho certeza que uma boa noite de sono resolve.
— Vou acreditar nisso. — ela me abraçou de leve e sorriu — Mas sabe que se precisar, pode desabafar comigo.
— Eu sei. — sorri para ela — Obrigada mãe!

Ela se afastou e saiu do quarto fechando a porta, eu me deitei na cama e fiquei um tempo pensando em tudo que tinha acontecido, mesmo feliz por ter visto , ainda estava com raiva dele por ter terminado tudo comigo. Entretanto, mesmo chateada com ele, era impossível não sorri, ou estar eufórica, ainda mais por saber que ele fala de mim todos os dias.

Meu corpo estava mesmo um pouco cansado, tanto que não demorou muito até que peguei no sono, horas depois acordei no susto com meu celular tocando dentro da mochila. Pensei por alguns minutos em não atender, mas me levantei e peguei o celular, olhando o visor era o número dele.

?! — disse ao atender, ele ficou em silêncio do outro lado da linha, já imaginava que ele tinha me ligado só para ouvir minha voz, sorri de imediato por causa disso — Eu estava dormindo, você acordou.

Eu conseguia ouvir a respiração dele do outro lado da linha, já comecei a imaginar que possivelmente ele poderia ter tido alguma briga com seu pai.

— Você está sem sono? — perguntei inocentemente, mesmo sabendo que ele não iria me responder — Provavelmente sim, eu não sei o que dizer, não vou falar que você jogou muito bem hoje, pois sabe que sim. — respirei fundo tentando pensar no que poderia dizer — Fiquei muito surpresa quando encontramos seu pai no hall do meu prédio, no final da noite nenhum de nós disse a verdade… Hum, você veio só por causa da conferência ou vai ficar para o natal?!

Eu ouvi uma risada baixa vindo dele, já imaginava a resposta.

— Eu não deveria nem atender suas ligações, mas como estou de férias e hoje estou feliz porque vi uma certa pessoa, vou demorar mais um pouco, a não ser que você queria que eu desligue. — disse instigando ele.
— Não. — disse ele num tom baixo.
— Olha, ele tem voz. — brinquei fazendo ele rir.

Eu fiquei mais alguns minutos que virou horas falando sozinha ao telefone, porém sempre que perguntava se ele estava dormindo, sua resposta era: “Continue.” O que significa que ele estava com saudade de mim tanto quanto eu estava dele, porém não significava que as coisas seria tão fáceis assim para ele.

Os dias foram passando, mesmo sabendo que estava na cidade, tentei me manter mais em casa, não queria atrapalhar sua conferência da universidade, menos ainda ter os olhares de todos para nós dois. Porém eu tinha uma melhor amigo que adorava fazer piadas da minha cara e me tirar do conforto do meu quarto, era um chato quando não tinha nada para fazer com sua namorada.

— Sério , eu realmente precisava estar aqui? — disse ao chegar na frente da sua casa, ele me esperava no portão.
— Claro que deveria, você é parte do time e hoje teremos uma sessão cinema para comemorar a formatura dos veteranos. — explicou ele pegando no meu braço e me puxando para dentro de casa.
— Yah, seu chato. — eu o segui até entrarmos.

Fomos direto para a cozinha, onde os ingredientes do nosso lanche já estavam nos esperando.

— Por que será que eu já imaginava que você tinha me chamado para trabalhar. — eu o olhei atravessado — Que belo melhor amigo você é.
— Eu tinha planos de pedir a minha namorada, mas temos um acordo de não envolver mais o basquete em nossos encontros nessas férias, então ela está na casa dos tios agora. — explicou ele colocando um avental da sua mãe em mim — Hum, até que ficou bonita.
— Ha… ha… ha…. — o olhei séria — E seus pais?
— Foram ao cinema, programa de casal, a única coisa que disseram é que eu não poderia colocar fogo na casa, então disse que você me ajudaria.

Balancei minha cabeça negativamente e comecei a ajudar ele a preparar os sanduíches. Curiosamente sem que eu perguntasse, começou a me contar sobre o novo time de , além de contar seus nomes, já que tinha ido a reunião da pizza da vitória. O capitão ruivo se chamava Jeremy, o pivô loiro era o Frank, o cestinha de jaqueta de couro era o Danny e o cara de boné preto era o Mike, a auxiliar eu já sabia o nome, Louise.

Ficamos um tempo preparando tudo ao som de TVXQ, me deixou sozinha na cozinha por um instante e foi para a sala separar os possíveis filmes. Estava tão distraída ouvindo música que nem reparei que alguém tinha entrado na cozinha, assim que terminei misturar o suco natural de abacaxi que tinha feito me virei em direção a porta.

— Oh, o que faz aqui? — perguntei ao ver encostado na porta de braços cruzados.
— Pelo que sei, ainda sou um veterano e fiz parte do time esse ano, sabia que eu era o capitão?! — ele riu.
— Ah, não, não sabia. — me virei para a bancada e peguei a jarra de suco.
— Me deixe te ajudar. — disse ele vindo até mim e pegando a jarra da minha mão.
— Obrigada. — desviei meu olhar para a bandeja de sanduíches que tinha feito.
, pensei que tivesse se perdido na minha casa. — disse ao entrar na cozinha — Ah…
— Que bom que o atual capitão chegou. — eu entreguei a bandeja para — Você leva para a sala.
— Sim senhora. — concordou ele rindo junto com .

Eu deixei eles indo na frente e peguei os dois baldes de pipoca e levei para a sala, Junhae e MiJun já estavam escolhendo filme. Primeiro eles deram a idiota ideia de vermos filme de terror, mas protestei de imediato fazendo todos rirem de mim, não me importava desde que não fosse nada de terror. Depois Hwang sugeriu que fizéssemos uma maratona de filmes do Johnny Depp, então eu concordei com a condição de começarmos vendo Edward mãos de tesoura.

— Não sabia que você tinha boas mãos para a cozinha . — elogiou MinSoo pegando mais um pedaço de sanduíche.
— Diz isso porque não comeu a comida da mãe dela. — comentou — Até minha mãe pegou algumas receitas brasileiras.
— Yah . — disse Junhae — Está me dando água na boca.
— Ele só disse a verdade. — confirmou .
— Ok, parem de falar sobre isso, assim como a minha mãe, eu fico sem graça com esses tipos de elogio. — adverti mantendo meu olhar na televisão — Prestem atenção no filme.

Eles riram de mim, porém continuaram cochichando sobre os sanduíches, eu fingi que não estava ouvindo e mantive meu olhar para frente. estava sentado no canto da sala, parecia preocupado com alguma coisa, percebi que ele estava sempre olhando para seu celular, talvez tivesse hora para voltar para casa, ou iria se encontrar com os membros do novo time.

Na metade do filme A lenda do cavaleiro sem cabeça, eu me levantei para ir a cozinha pegar mais pipoca, aquele esfomeados já tinham comido tudo que tinha levado no intervalo entre os filmes. Assim que terminei de colocar a pipoca nos dois baldes, senti alguém pegar minha mão e me puxar para a porta de saída para o jardim.

— O que está fazendo ?! — disse assim que chegamos — Por que?
— Seria muito egoísmo dizer que quero passar esta tarde só com você? — disse ele ainda segurando minha mão — Se você quiser é claro.
— Hum, não deveria querer. — sorri de canto — Você planejou alguma coisa?
— Bem, minha mãe me pediu para te convidar para o jantar. — disse ele — Antes, pensei em irmos ao shopping para comprar um presente para ela.
— Alguma data especial? — perguntei.
— Não. — ele sorriu — Só quero quero ir ao shopping com uma amiga, podemos ser amigos pelo menos, não é?
— Hum, amigo?! Acho que podemos. — segurei o riso e saí andando na sua frente.

Passamos pela lateral da casa até chegarmos na rua, eu insisti para avisarmos aos outros, porém já tinha cuidado disso também, parecia até que já imaginava que eu iria aceitar seu convite. Assim que chegamos ao shopping, ele segurou em minha mão e começou a me guiar pelos corredores.

— Você está gostando da sua universidade? — perguntei curiosa.
— Um pouco, às vezes ela se torna meio entediante. — respondeu ele dando um suspiro fraco — Para ser sincero, existe uma coisa que aquele lugar não tem, ou melhor, existe alguém que eu queria naquele lugar, mas não está.
— Hum, alguém?! Quem? — indague me fazendo de inocente.
— Você quer que eu diga que é você?! — ele riu de leve mantendo seu olhar para frente — Sim, é você, nenhum lugar será confortável e bom, se você não estiver nele.

Eu sorri um pouco virando minha face para o lado.

— Essas palavras não vão amenizar o que fez. — disse a ele.
— Eu sei, de forma inconsciente eu fiz o que jamais queria fazer. — ele ficou em silêncio por um momento, parecia segurar algumas lágrimas — Me perdoe por ter te feito chorar.
, pare de agir assim. — eu segurei forte sua mão, estava segurando minhas emoções — Não se preocupe, não sou de guardar rancor, então saiba que já te perdoei, mas por enquanto só seremos amigos.

Ele parou por um momento e me puxou me abraçando.

— Por enquanto ser seu amigo é mais do que suficiente. — sussurrou ele no meu ouvido — Mas não vou desistir do seu coração.
— Estou contando com isso. — sussurrei de volta, sorrindo de leve.

 

“Pergunto-me como pude passar um dia sem você,
Fico curioso pensando o quanto você gosta de mim.”
- Hug / TVXQ (Dong Bang Shin Ki)


Capítulo 6

“Eu tenho medo de que você vá embora.
Eu não deixaria você ir,
Como eu posso manter-te aqui?”
- All My heart / Super Junior

Os dias se passaram e teve que voltar para Harvard com seu pai, agora seria oficial sua matrícula em Harvard, já que seu histórico no colégio tinha ficado pronto. Eu não quis nem mesmo participar da festa de formatura da Prince Line, principalmente porque tinha certeza de que me sentiria deslocada vendo os meninos com suas namoradas e eu de vela.

Mesmo que eu tivesse a amizade de e Priscila, a maior parte do meu tempo eu ocupava vendo doramas ou jogando com Jinho, assim não pensaria tanto no que possivelmente poderia estar fazendo na universidade. O que piorava quando meus pensamentos se voltavam para aquela auxiliar com cara de oferecida, no fundo tinha que admitir que estava com ciúmes.

No final da tarde recebi uma mensagem de Yuri, ela estava me convidando para ver A bela e a fera no cinema, já que não gostava de filmes de romance. Seria melhor que ficar em casa não fazendo nada, então resolvi aceitar, passar um tempo com Yuri seria legal, afinal em alguns momentos ela ainda tinha alguns olhares de ciúmes.

— Obrigada mesmo por me convidar. — disse a ela após sairmos da sala do cinema.
— Eu que me sinto grata por ter você aqui, não queria ver sozinha e oppa não quis vir comigo, além do mais, ele preferiu ir a uma partida de despedida de basquete com a Prince Line. — explicou ela.
— Sério?! — eu a olhei surpresa — Por que eles não me falaram disso?!
— Bem, eles acharam que você ficaria triste, por causa do oppa, e eu também disse ao oppa que você seria minha companhia ao cinema, que nós meninas precisávamos de um tempo e você de uma folga. — respondeu ela com um sorriso simpático.
— Obrigada por pensar com carinho em mim. — eu a abracei forte — Te considero minha amiga também, mesmo que em alguns momentos tenha ciúmes de mim.
— Mianheyo unnie. — ela se encolheu com vergonha — É que sua amizade com oppa é tão forte e bonita, às vezes sinto inveja.
— Pois não sinta, você não imagina como ele gosta de você. — expliquei a ela sorrindo de leve — Agora vamos, quero tomar um sorvete.

Ela assentiu com a face e me acompanhou em direção a sorveteria, que tinha entre as lojas da praça de alimentação do shopping, fizemos nosso pedido com rapidez e nos sentamos em uma mesa para saborear nossos sorvetes.

— E como vai ficar agora? — perguntou Yuri.
— Ficar o que? — retruquei.
— Você e oppa. — explicou ela.
— Não sei Yuri. — mantive meu olhar no sorvete — Mas eu já me decidi que vou me dedicar bastante esse ano para conseguir minha vaga na universidade.
— Você vai para Harvard?! — perguntou ela.
— Vou. — sorri de leve me imaginando lá — Tenho um amigo lá que precisa de mim.
— Você gosta mesmo dele, né?!
— Sim. — assenti com a face — Sei que o que ele fez, foi tentando não me fazer sofrer, só que aquele idiota acabou fazendo tudo errado.
— É visível o quanto o oppa gosta de você. — comentou ela.
— É sim, e por isso eu não vou desistir dele. — suspirei feliz — E você?! Já pensou no que vai fazer depois que nos formarmos?
— Sim. — assentiu ela — Vou para a universidade de Busan, com oppa.
— Sério? Ele vai para lá? — desviei meu olhar para o lado pensativa — Ele nem me falou sobre isso.
— Bem, todos os membros da Prince Line vão para Busan, então é um pouco óbvio que ele vá. — explicou ela rindo.
— Verdade, ele se tornou um Prince Line. — bufei de leve — Aish, está todo metido agora.
— Ele ainda é fofo e gentil. — defendeu ela.
— E você já sabe o que vai cursar? — perguntei.
— Eu gosto de livros e escrever redações, então pensei em fazer jornalismo, para trabalhar em alguma revista de entretenimento. — respondeu ela com firmeza.
— Hum, isso é legal, o eu sei que vai cursar medicina, sua paixão. — comentei — e do jeito que é um nerd, certamente ele vai se dar bem.
— Eu estou apoiando ele na sua escolha, mas às vezes me sinto insegura, medicina é um curso muito trabalhoso, vamos ter pouco tempo juntos. — explicou ela fazendo uma cara triste — Para o amor não há distância ou tempo, veja eu e .
— Verdade, terei que me acostumar, pois quando ele for um residente será ainda pior. — disse ela mantendo seu olhar no sorvete.
— Pense positivo, sempre vai arrumar um tempo para vocês dois. — eu sorri de leve para ela.

Passamos mais algumas horas passeando pelo shopping, vendo as vitrines e rindo um pouco de todas as coisas engraçadas, que aconteceram naquele ano. Pouco após de escurecer, nos encontrou na porta, ele e Yuri iriam jantar na cada dela, após me deixarem em casa.

— Uau, mais já?! — perguntei ao entrar e ver minha mãe e Jinho decorando a árvore de natal.
— Temos que já entrar no clima querida. — respondeu minha mãe sorrindo.
— Não conseguimos te esperar unnie. — Jinho continuou com sua atenção voltada para a árvore.
— Percebi. — eu ri deixando minha bolsa no sofá e indo ajudar eles — Tem espaço para mim também?
— Mais é claro. — minha mãe riu um pouco — Como foi o cinema das garotas?
— Foi bom, o filme é lindo como o desenho. — respondi pegando alguns enfeites para colocar na árvore — Foi legal passar esse tempo com a Yuri, fico tanto tempo no meio dos meninos do basquete que acabo me esquecendo que sou uma menina.
— Meu Deus, que isso. — minha mãe riu junto com Jinho — Não sabia que era tão dramático assim ser assistente do time de basquete.
— Tem seu lado positivo e negativo. — admiti.

Nós ficamos mais algum tempo no meio da sala arrumando a árvore, depois minha mãe inventou de fazer festival de panquecas. Quando meu pai chegou, estávamos todos rindo da bagunça que estava a cozinha, ele jogou sua maleta no sofá, retirou a gravata e se jogou na nossa bagunça. Tivemos um ótimo momento em família aquele dia, de alguma forma eu conseguia perceber que eles se esforçavam ao máximo para me manter perto da família, assim não sentiria tanta falta do meu pesadelo.

Mais dias se passaram, até que finalmente chegamos ao esperado natal. Mesmo que a ceia seria na casa da família de , minha mãe fez questão de preparar sua tradicional torta de frango. Quando chegamos, a casa de já estava cheia de rostos conhecidos, porém o que eu queria ainda não estava ali.

— Que bom que finalmente chegaram. — disse vindo até mim — Pensei que desistiria do natal.
— Acha mesmo que meus pais deixariam? — eu ri de leve — Onde estão os outros? Aqui na sala só tem adulto.
— Estão jogando na biblioteca do andar de cima. — respondeu ele — Vamos?
— Claro, se eu ficar minha mãe me pega pra ajudar na cozinha.

pegou de leve em meu braço e me puxou para a escada rindo, quando chegamos no cômodo da biblioteca, a Prince Line já estava ali acompanhados de suas respectivas namoradas, até mesmo Yuri já estava presente. Aparentemente, eles estavam em um campeonato de Mortal Kombat e pelo placar Junhae estava ganhando.

— Annyeonghaseyo. — disse ao entrar.
— Yah, finalmente. — gritou Hwang — Achamos que não viria, não podemos passar o natal sem nossa auxiliar preferida.
— Ata, eu sou a única. — disse a eles indo até Yuri.

Todos riram um pouco. Abracei Yuri e cumprimentei as meninas líderes de torcida e namoradas deles: HaRi, Chohee, Yejin e Sooyong.

— Curiosamente perguntando, onde está a Taeyeong? — perguntei — Vi os pais dela lá em baixo.
— Ah, ela passou em uma audição que fez para ser trainee de uma emprega, ela quer se tornar modelo ou atriz. — explicou Chohee.
— Hum. — desviei meu olhar para a janela — Ela leva mesmo jeito para modelo, é tão fotogênica.
— E bonita. — completou Yuri — Unnie, você já fez seu pedido de natal?
— Já, fiz esta madrugada. — assenti mantendo meu olhar no céu — Estava indecisa no que pedir.
— E qual foi? — indagou ela.
— Ah Yuri, se eu contar não vai se realizar.

“Mesmo que o tempo passe ou mesmo que tudo mude,
Eu prometi que estaria ao seu lado.”
- Angel / Teen Top

Nós rimos baixo, enquanto todos estavam concentrados no campeonato de game, eu e Yuri continuávamos a falar sobre o natal, ela estava me contando sobre quando foi para a casa dos seus avós na ilha de Jeju. Não demorou muito até que a mãe de subiu e nos chamou para o almoço, tinha que admitir que já estava faminta.

Antes de eu sair do quarto, Sunny a irmãzinha que entrou no quarto e me abraçou, fiquei sem reação inicialmente, porém retribui o abraço.

— Você chegou agora?! — perguntei com a esperança dele estar na sala.
— Sim. — assentiu ela — O papai foi buscar a mim e a mamãe, viemos com ele.
— Hum, só vieram vocês?
— Sim, oppa ainda não chegou de viagem. — explicou ela já sabendo o motivo da minha pergunta.

Eu segurei de leve em sua mão e descemos as escadas juntas, assim que me aproximei da senhora Seohyun, lhe deu um abraço apertado desejando feliz natal. Ela me entregou discretamente um bilhete que aparentemente seria de e que eu deveria ler após o almoço, longe de todos. Agradeci com um sorriso discreto e me aproximei dos meus pais, guardado bilhete no bolso da calça.

A comida estava muito saborosa, a mãe de também era muito boa na cozinha, acho que era dom das mães cozinharem bem. Fiquei sentada entre Jinho e Sunny, que não paravam de falar sobre a animação O poderoso chefinho, eles tinham tantos assuntos de criança, e eram tão fofos conversando que comecei até shippa os dois.

Mesmo que todos estivessem concentrados em suas conversas e na festividade de celebrar o natal, eu conseguia sentir os olhares discretos de todos em minha direção. Alguns sabiam a atual situação entre mim e , porém outros nem imaginavam que nós dois não estávamos mais namorando.

Em um certo momento de distração de todos quando os jovens subiram novamente para a biblioteca, as crianças foram assistir televisão e os adultos começaram a conversar sobre assuntos chatos, eu consegui escapar para o jardim com a ajuda da Seohyun ajumma. Retirei o bilhete de do bolso e li baixo, era o endereço do meu prédio, porém estava escrito o número do apartamento do professor Siwon.

De forma silenciosa e extremamente discreta, peguei minha bolsa e meu casaco que tinha deixado no canto da sala e saí, peguei um táxi em direção a minha casa, estava curiosa para saber o que ele tinha tramado para aquele natal. Assim que cheguei no prédio, entrei correndo no elevador e só me senti aliviada quando cheguei em frente a porta do apartamento do professor Siwon.

Respirei fundo e quando ia bater, a porta se abriu.

— Boa tarde. — disse o professor ao abrir.
— Boa tarde professor Siwon. — meu curvei de leve em cumprimento — Eu...
— Eu sei. — ele riu um pouco — assim que o porteiro me avisou da sua chegada já imaginei — ele esticou outro pedaço de papel — me deixou este bilhete para te entregar.
— Só?! — admito que estava um pouco desapontada, esperava ver ali.
— Bem, leia primeiro e se deixe frustrar depois. — aconselhou ele me olhando de forma gentil.
— Obrigada professor, feliz natal. — eu peguei o papel e me voltei para o elevador.
— Feliz natal. — disse ele da porta.

Assim que entrei novamente no elevador, abri o segundo bilhete e li, era o endereço da cafeteria da tia dele, me senti um pouco mais motivada. Assim que cheguei na rua, peguei um ônibus que por sorte passava ali e estava indo na direção que eu queria, demorei mais alguns minutos para chegar ao meu segundo destino.

Desta vez, não iria correr, mesmo que minha curiosidade estivesse muito alta, ao entrar na cafeteria, olhei discretamente para os lados e me sentei esperando sua tia, Sora ajumma aparecer. Logo que ela apareceu, seu olhar veio de encontro ao meu, ela sorriu e pegando uma caixa que estava em cima da bancada, veio em minha direção.

— Feliz natal . — disse ela colocando a pequena caixa na minha frente — Uma pessoa me pediu para te entregar este presente.
— Obrigada ajumma. — disse dando um sorriso meio desanimado — Eu gostaria que essa pessoa me presenteasse pessoalmente.
— Hum… Eu aconselharia você abrir ele. — disse ela me dando um abraço de leve e se afastando da mesa.

Eu respirei fundo abrindo o embrulho, dentro da pequena caixa tinha alguns bombons com mais um bilhete, neste estava escrito uma frase um tanto enigmática.

“No final do arco-íris tem um pote de ouro.”

— O que ele quis dizer com isso? — perguntei para mim mesma ao ler.

Olhei rapidamente no verso da tampa e tinha outro endereço, o da casa dele. Então comecei a pensar que não teria ninguém lá para me receber, já que sua mãe estava na casa de . Logo um sorriso se abriu em minha face, a resposta mais óbvia era que o próprio estaria lá me esperando.

Eu tampei novamente a caixa e saí correndo, peguei o primeiro táxi que vi pela frente e segui para casa da senhora Seohyun. Assim que cheguei, ao tocar na porta me lembrei que uma vez a Seohyun ajumma tinha me falado a senha, então digitei e abri. Quando entrei, aparentemente não tinha mesmo ninguém, até que olhei para a escada e vi alguns papéis coloridos picados formando um caminho pelo chão.

Eu sorri as escadas seguindo o caminho dos papéis, quando cheguei no hall dos quartos, estava parado virando para a janela, olhando o horizonte. Desci um pouco meu olhar e vi que meu scrapbook estava em sua mão, ele tinha guardado meu presente de viagem, e certamente tinha lido minha carta de confissão.

— Você demorou. — disse ele mantendo seu olhar na janela, deveria estar vendo meu reflexo — Comecei a pensar que não viria mais.
— Caça ao tesouro é na páscoa, não no natal. — retruquei dando alguns passos até ele — Custava sua mãe dizer que você estava aqui?
— Se não fosse assim, não seria eu. — ele se virou e me olhou com carinho e intensidade ao mesmo tempo — Além do mais, seu presente de natal não estava aqui.

 

“Quero te dar todo o amor que há no mundo,
Ainda que isso esteja apenas nos meus sonhos,
Meu coração continua como antes.”
- Hug / TVXQ (Dong Bang Shin Ki)

~ To Be Continued... ~


N/A: Sabe aquela continuação esperada? Aqui está!! Nossos 17 anos, ainda mais cheios de pesadelos!!!!
E no que depender dessa escritora louca, vamos até 22 anos. Essa é pra você Nat e Rafaela *-*
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By: Pâms!!!!


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