Super Junior: Islands, by Prissiton


Islands

ISLANDS
por Prissiton

"Ela teve que se perder, para enfim se apaixonar e ter o que achava impossível, uma família!."
Gênero: Drama / Romance
Dimensão: Oneshot
Classificação: PG-15
Aviso: POV / Songfic. 

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# Capítulo 1 # Capítulo 2 # Capítulo 3 # Capítulo 4 # Capítulo 5 # Capítulo 6 # Capítulo 7 # Capítulo 8 # Capítulo 9 # Capítulo 10 #

 

Capítulo 1

 

Após ouvir uma história inacreditável de uma amiga, fui obrigada a torna-la pública, por suas peculiaridades e seu encanto. O nome da aventureira é , não tinha família, foi criada em um lar para órfãos e assim que fez maior idade, tomou as rédeas de sua vida. Batalhou muito para conquistar o seu lugar no mundo dos negócios, que até então era seu único objetivo. Trabalhava a dois anos e meio em uma empresa de alimentos congelados, muito conceituada e respeitada por sua qualidade e o sabor incomparável de seus produtos. A princípio começou como operária na área de higiene de produtos e ao longo deste tempo foi se destacando e se tornou representante e assistente de diretoria, aprendendo rápido sobre o negócio e também outros idiomas.

Geralmente viajava com um de seus superiores para realizar contratos de serviços e produtos, visando o crescimento da empresa através de importação e exportação. Em uma reunião de diretoria foi implantada a ideia de começarem a produzir pratos prontos congelados, mas queriam sair do convencional (frango e carne moída). Dias antes, havia feito pesquisas diversas e uma destas era sobre caranguejos vermelhos. Entre uma ideia e outra que propunham, o vice diretor não se convencia até que ao lembrar da pesquisa, decidiu apostar em um palpite sutil atraindo a atenção daquele senhor com a seguinte frase: “Se queremos sair do convencional, podemos começar com frutos do mar, como por exemplo risoto de camarão ou espaguete com molho de carne de caranguejo vermelho, podendo ser refinado e simples ao mesmo tempo.” O vice diretor pensou sobre aquela ideia e a achou muito interessante e como ninguém mais se pronunciou ela foi mais audaciosa: “Pensando nos custos, poderíamos pesquisar em que localidades essa matéria prima seria mais viável, até mesmo para que quando chegar ao consumidor, o valor não exceda a sua expectativa.”

Definitivamente, não só conseguiu a atenção dele, como sua admiração e aprovação da ideia. Foi encarregada de fazer a pesquisa e os outros iriam auxilia-la. Não demorou muito, ela achou o exportador mais acessível (com valor mais em conta), mas não estava nada próximo pois ficava em uma ilha da Austrália e seria necessário uma viagem para pesquisa de campo e socialização com a empresa correspondente. Com uma questão de dias foram providenciadas as passagens para ela e seu supervisor, estava tudo em ordem, mas após um acidente doméstico (caiu da escada), o supervisor foi impedido de ir.

Como estava em cima da hora não conseguiriam substitui-lo e pensaram em adiar até que ele melhorasse, mas não queria perder aquela chance e se destacar ainda mais possibilitando uma promoção. Tomou a responsabilidade para si e os convenceu de que poderia ir sozinha. Com a autorização do vice diretor em comum acordo com a presidência, lhe dando todo o suporte necessário, ela seguiu viagem para a Austrália. Passou a noite em um hotel e de lá na manhã seguinte partiria em uma pequena embarcação exclusiva para sua viagem (alugado pela empresa) para Christmas Island. O trajeto demoraria uns três a quatro dias sem parada e ela já era aguardada pelo representante da empresa.

O céu estava limpo e não havia nem sinal de nuvens, o comandante tinha mais dois ajudantes e como de costume deram todas as recomendações a ela, a deixando tranquila em relação a estabilidade do clima (não havia previsão de tempestades para aqueles dias e chegariam no prazo combinado). Como não se controla a mão do destino, no segundo dia o céu foi ficando nublado e ventava muito, logo começou a chover. tentava manter a calma, os homens iam de um lado a outro tentando não assusta-la, mas as ondas empurravam a embarcação para o lado contrário tirando-os da rota. Um dos ajudantes lhe colocou um colete salva vidas e ela segurou suas coisas com toda força.

No meio da tormenta em um rompante do mar, foi arremessada bruscamente para fora da embarcação sem que os homens pudessem perceber sua ausência. Foi levada pelas fortes ondas com suas coisas desacordada pela pancada, por estar com o colete não afundou e só parou quando a corrente do mar amansou na praia de uma ilha no meio da noite.

Um rapaz caminhava ali pela areia, com uma calça rasgada, uma camisa bem velha e um vara na mão, pisou em uma pequena bolsa e ao pegar achou estranho o objeto, afinal para ele não era comum essas coisas naquele lugar, olhou em volta e avistou um corpo e outras coisas próximo a ele. O rapaz receou que houvesse mais alguém e demorou para se aproximar até que chegou até ela, a virou e vendo que ela deu uma leve piscada constatou que ainda estivesse viva, então a pegou nos braços e caminhou com ela alguns quilômetros o mais rápido que pode até uma velha construção inacabada (sua casa) escondida entre as arvores mais afastada da praia ao sul.

A colocou em uma cama improvisada e a cobriu com um cobertor velho, acendeu uma pilha de lenha em um buraco perto da parede com uma janela sem vidro, com água e um pedaço de pano limpou seu rosto e percebeu que saia sangue de sua boca. Como ela estava desmaiada não tinha como saber se ela estava sentindo dor e onde, então abriu sua boca e observou que faltava alguns dentes arrancados a força do lado esquerdo. Deduzindo que ela não conseguiria mastigar coisa alguma por um bom tempo, foi até uma mesa próxima e colocou umas ervas e folhas na boca e as mastigou, voltou para ela e como a mãe pássaro alimenta seus filhotes, passou o macerado de sua boca para a dela e mexeu seu maxilar para que ela engolisse. Sempre limpando o sangue que escorria e tentando deixa-la aquecida pois tinha febre, repetiu aquele procedimento por três dias até que ela acordou.

Abrindo os olhos devagar, primeiro viu apenas a sombra de um homem, se esforçando mais um pouco conseguiu ver com mais exatidão o rapaz de expressão séria e desconfiada vestindo trapos, ela sem entender que lugar era aquele começou a indagar.

— Quem é você? — sua boca estava inchada e mal conseguia pronunciar — Onde eu estou?
* Ele fazia sinais juntando a ponta dos dedos e apontando para si — (minha casa)
— Eu não estou te ouvindo, ai. — finalmente sentiu a dor do lado esquerdo do rosto e ao colocar a mão sentiu o inchaço — O que está acontecendo comigo, que lugar é esse? — ele repetiu o sinal, mas ela não fazia ideia do que fosse, realmente acreditava que não podia ouvi-lo e que poderia ser a água que entrou nos ouvidos.

Ele desistiu de explicar e vendo-a sentir a dor sabia que era hora do remédio e começou a mastigar as folhas indo na direção dela.

— O que está fazendo, não se aproxime, fique longe de mim.

As lágrimas escorriam em seu rosto, estava achando que ele a faria mal e conforme ele se sentou ao seu lado e chegou perto para lhe dar o macerado ela tentava o empurrar em vão pois a dor a deixava ainda mais fraca, sem opção ele a segurou firme e apertou sua boca sobre a dela lhe passando aquela mistura amarga. Assim que a soltou ao ver que ela iria cuspir colocou a mão sobre a boca dela a impedindo.
*Fez um sinal: colocou o dedo na garganta o arrastou para baixo e apontou para ela em sentido de ordem — (engole, agora).

Como não tinha escolha e estava com medo, assentiu e engoliu com muita dificuldade e então ele a soltou pegou um copo de barro com um liquido branco que parecia leite e a entregou gesticulando com a cabeça para que bebesse.

— Não, eu não quero mais nada — ele insistiu fazendo um ruído de braveza com a boca e então ela tomou o liquido sem gosto que limpou um pouco aquele gosto horrível do macerado, era ceiva de uma arvore. Sem mais, pegou o copo de volta e o colocou sobre a mesa, cobriu o resto das folhas com um pedaço de pano.
*Virou para ela e colocou a palma da mão do lado do rosto e apontou para a cama — (vá dormir) — e saiu para o outro cômodo.

estava aterrorizada com aquilo e como estava meio zonza por causa do macerado que já fazia efeito, recostou a cabeça na cama e antes de dormir ouvia o barulho das folhas sopradas pelo vento e as ondas do mar batendo nas pedras do lado de fora e então apagou.

O rapaz entendia muito pouco do que ela falava, como se estivessem em frequências diferentes, seria difícil a comunicação então resolveu ver os objetos que encontrou junto a ela na praia e que também levou para sua casa. Haviam roupas, um sapato e um estojo além da pequena bolsa, ao abri-lo encontrou um espelho e achou que ela iria gostar de ver aquelas coisas, juntou tudo e foi para o quarto assim que a viu dormindo colocou as coisas ao seu lado na cama, a observou uns minutos tentando entender como e o porquê dela estar ali e então saiu para pegar cocos.

Enquanto isso, em Christmas Island, a embarcação chegava e o representante da empresa foi busca-la. O capitão totalmente atordoado deu a notícia sobre o acidente, só perceberam que ela não estava lá (no convés como imaginavam), quando foram chama-la na manhã seguinte ao temporal. Imediatamente, a empresa em que trabalhava foi informada e começaram as buscas pelo seu corpo, pois já não acreditavam que estaria viva após dias no mar.

“A estrada é muito e a água era profunda
Meus pés estão congelados e houve luz além do oceano.”
– Islands / Super Junior

 


Capítulo 2

 

Assim que acordou e viu suas coisas ficou mais aliviada, mas o alívio logo passou quando se viu no espelho, simplesmente se achou deformada, inchada e roxa, os três dentes que faltavam lhe deram vontade ainda maior de chorar e para completar a dor estava voltando. Era tardinha e o rapaz acabava de voltar com bananas e cocos, quando ele entrou no quarto ela se encolheu toda agarrada a suas coisas, olhando para sua cara de dor, o rapaz foi para o ritual. Ao vê-lo colocar as ervas na boca, ela concluiu que ele novamente a daria aquela coisa e tentou persuadi-lo.

— Eu não preciso mais disso, eu já estou bem, eu preciso ir estão me esperando, é importante. — ele nem dava bola, foi mastigando para perto dela e já segurando em seu pescoço com cuidado — Não, por favor não. — passou o macerado para ela e ficou olhando até que engolisse, tossiu um pouco pois realmente era amargo e não sabia como ele conseguia colocar aquilo na boca e não expressar nenhuma reação, provavelmente já estava acostumado com aquele gosto. Ele pegou o copo com a seiva e deu para ela tomar, saiu voltando rapidamente furando um coco e também a deu.
*Apontou para o espelho, depois para a bochecha dela, apontou dois dedos para os olhos em movimento de visão e por fim com a mão esquerda uma forma de interrogação — (você se viu?)
— O espelho? — ela não entendia os gestos, mas pegou o espelho e mostrou a ele que assentiu — É são minhas coisas, onde você achou?
*Apontou para ela, depois para fora, passou cada dedo no dedão e abriu a mão — (com você, na praia).
— Você não fala, não sabe falar, eu não entendo estes movimentos. — ele não fez nenhum sinal e ia saindo — Não espera, eu só…

Ele saiu e ela sem opção, tomou a água de coco, deitou abraçada a suas coisas e dormiu de novo. Na manhã seguinte, ela o chamou e como não o viu pegou suas coisas e saiu sem rumo da casa. O rapaz voltou para a casa um tempo depois com dois peixes, deixando-os no primeiro cômodo sentiu falta de uma lança que deixava escorada na porta e foi para o quarto já pensando no que poderia ter acontecido, não a vendo lá sua expressão foi de raiva, pois teria que ir procura-la e a ilha não era nada pequena. Como já estava acostumado com a paisagem sabia que com certeza acharia alguma coisa diferente que a denunciaria e foi exatamente o que aconteceu.

Ela já estava sentindo dores e com o calor de seu corpo e o esforço sua boca voltou a sangrar, ele encontrou as pegadas e algumas gotas de sangue e soube exatamente a direção onde ela estava indo. estava cansada e a dor ia se intensificando, perdida naquele lugar onde todas as direções eram iguais, se abaixou um pouco para respirar e assim que se levantou tomou um susto ao vê-lo escorado em uma árvore e de cara fechada.

— Não se aproxime ou eu acerto você. — ela apontava a lança para ele em posição de ataque — Eu vou sair daqui e você não vai me impedir.
*Ele apontou para ela e cruzou as mãos apontando os indicadores em diferentes direções encolhendo os ombros mostrando desentendimento — (e para onde você vai?)
— Por favor me deixa em paz. — mesmo diante da ameaça dela, ele caminhou até ela pegou a ponta da lança e a colocou rente a seu peito a desafiando — Você é louco quer que eu te acerte? — ele continuou a atiçando com os olhos, assustada ela soltou a lança — Eu faço o que você quiser, só não me machuca. — ela ainda não tinha entendido que ele estava tentando ajuda-la, então ele jogou a lança no chão a olhando sério.
*Ele apontou para si, abraçou o próprio corpo e apontou para ela — (eu protejo/ajudo você) — pôs o dedo no lábio inferior e apontou para ela novamente — (te dou remédio).
— Olha eu não quero mais tomar aquilo, não aguento mais (era tão ruim que o fato dele lhe dar direto de sua boca era relevante).
*Apontou para ela e bateu uma das mãos com o punho fechado na palma da outra — (você precisa) — apontou em direção a casa enfatizando com o olhar — (para casa, agora).

mesmo com dificuldade entendeu o que queria dizer aquele sinal de ordem e como não estava se aguentando em pé, não conhecia o lugar, não tinha mais para onde ir e nem sequer sabia se havia outras pessoas por ali, decidiu por bem obedecer, na verdade era a única opção.

Tinha feito uma trouxa com uma blusa, a pegou e foi andando devagar, ele sabia que a dor estava insuportável e naquele ritmo não chegariam nunca, então assim que ela chegou perto dele, ele a pegou no colo, mesmo contra sua vontade e a levou de volta para casa. Colocou ela na cama e já foi mastigando as folhas e lhe dando, desta vez não reclamou, já que tinha que passar por tal situação, beijos involuntários e de péssimo sabor, e estava longe de sair dela, queria saber mais sobre aquele tipo.

— Você tem mesmo que fazer isso, quero dizer não pode amassar em outro lugar e me dar? — disse com nojo e ele balançou a cabeça negativamente dando a ela o copo com a seiva branca. — E por que não?
*Passou uma mão na outra duas vezes — (está sujo).
— Eu não sei o que significa isso. — o olhando sem jeito — Você não pode mesmo falar?
*Com a pergunta dela, ele se sentiu triste, passou as costas da mão na garganta de baixo para cima e balançou o dedo indicador — (não sai o som)
— Então, você não consegue, é isso?
*Ele afirmou com a cabeça.

Vendo a necessidade de explicar a ela as coisas, começou a gesticular mais devagar e tentando mostrar o que queria dizer. Fez novamente o gesto de sujeira e como só andava descalço mostrou a ela a sola do pé.

— O que tem o seu pé — ele repetiu o sinal e apontou para o que tinha na sola até que ela entendeu o que era. — Está sujo, é isso?
*Ele afirmou, mais empolgado e decidiu tentar outra coisa então lhe mostrou as folhas e ervas que mastigava, colocou o indicador no lábio inferior e apontou para ela.
— É eu sei você fica me dando essa coisa horrível.
*Ele balançou a cabeça, apontou para ela e começou a encenar dor, apontou para as folhas fazendo o sinal, apontou novamente para ela, e encenou alívio, depois deu dois toques com o dedo na cabeça — (entendeu?).
— Espera, acho que eu entendi, eu estou com dor, você me dá isso e eu melhoro, então isso — colocou o dedo no lábio inferior — quer dizer remédio? — ele confirmou novamente — Está bem, e esse último sinal que você fez?
*Ele apontou para ela, deu dois toques na cabeça, apontou para as folhas fazendo o sinal do remédio.
— É eu já entendi que as folhas são o remédio. — novamente ele deus os toques na cabeça — eu já disse que eu entendi — ele confirmou e finalmente associou a palavra ao gesto e o repetiu dizendo — Eu entendi. — ele confirmou e sorriu satisfeito, ela também lhe deu um sorriso o deixando encabulado.
*Vendo que ela já estava sonolenta, colocou a palma da mão sobre o rosto e apontou para a cama.
— Acho que essa eu já sei, devo dormir, acertei? — ele confirmou e antes que saísse — Você tem nome, ou algo parecido?
*Ele confirmou novamente, desta vez mexeu os lábios para tentar lhe dizer, mas como não saia nenhum som ficava frustrado.
— Você não tem um sinal para mostrar?

Ele balançou a cabeça que não, então como se estivesse se lembrando de algo, fez sinal com a mão para que ela esperasse e foi até o outro cômodo, tirou uma pedra da parede e do buraco uma foto bem antiga de uma mulher e uma criança e levou para ela.

— Quem são?
*Ele girou o dedo para que ela olhasse atrás, e então ela leu uma mensagem.
— “Para a mamãe com muito amor e carinho.
            De seu marido Ji-hun e seu filho .
*Ele apontou para si ao ouvir seu nome e fez sinal baixando a mão indicando o menor — (a criança na foto).
— Esse é seu nome ?
*Ele confirmou e apontou para ela fazendo interrogação querendo saber o dela.
— O meu nome? — ele confirmou — É . — disse devagar para que ele entendesse, como era órfã, não gostava do sobrenome que a deram então, não o pronunciava por não fazer parte de nenhuma família correspondente.
*Ele mexeu os lábios imitando a pronúncia, bateu palmas três vezes apontando para ela e depois para o ouvido, como não conseguiria chama-la da forma convencional ela o ouviria assim.
— Acho que não tem problema se me chamar assim, . — ela disse mais confiante, devolveu a foto para ele e deitou a cabeça na cama fechando os olhos rapidamente.

Ele sorriu a olhando e então saiu e ficou sentado do lado de fora olhando e beijando a foto de sua mãe. Como fazia os mesmos movimentos com os lábios que sua mãe, com o tempo e prestando muita atenção já conseguia entende-la.

“O tempo flui, mesmo em dias que não são calmas,
Você estava comigo durante todo o meu tempo.”
– Islands / Super Junior

 


Capítulo 3

 

Há cerca de vinte três anos atrás, um homem saia de férias com sua esposa e seu único filho de apenas dois anos. Querendo dar um presente diferente a sua esposa, decidiu fazer uma viagem pelo mar em um veleiro moderno que seu amigo lhe emprestou. Iriam ficar mais ou menos um mês no mar indo do Pacífico Sul ao Índico e iriam conhecer algumas ilhas, recifes e locais diversos a partir da Austrália. Era um pouco arriscado pelo fato de terem uma criança tão nova a bordo, mas acompanhados de mais dois tripulantes não viam tanto perigo. No meio da viagem, encontraram águas turbulentas e tormentas arrasadoras, em uma destas o caos foi inevitável.

O barco estava a ponto de virar, uma das velas bateu na mulher a mandando no piso do veleiro, o choro da criança agarrada a ela deixaram o homem desesperado, e em uma tentativa derradeira de salvar sua mulher e seu filho os colocou em um bote inflável com alguns suprimentos, mas quando os soltou no mar uma onda gigantesca engoliu o veleiro com ele e os outros tripulantes. Como a viagem demoraria ainda dias pela frente e por causa do mau tempo às vezes se ficava sem comunicação, demoraram a perceber que algo estava errado, então começaram as buscas sem sucesso pelo veleiro e a família com os tripulantes. Só mais tarde receberam a notícia do aparecimento do corpo do marido e os outros homens a bordo, por meio de um Cruzeiro.

A mulher e seu filho ancoraram em uma ilha distante e desconhecida, ela acordou com o choro dele e ao tentar acalmá-lo sentiu uma dor terrível na garganta onde tinha sido atingida pela vela, por causa da lesão nas cordas vocais não conseguia mais falar. Totalmente sozinha, com a falta de seu marido, perdida e agora sem poder se comunicar com seu filho teve que se adaptar. Como era bióloga, tinha conhecimento de plantas, animais, o tipo de clima e o que a natureza daquele novo lugar poderia oferecer. A mulher reuniu suas forças, pegou seu filho e começou a sobreviver a aquela tragédia, como não sabia a língua dos sinais, libras, inventou seus próprios sinais e gestos para falar com o menino, mesmo sem som pronunciava com os lábios para que ele soubesse os movimentos de cada palavra.

Os primeiros dias foram os mais tensos, as vezes quando ele chorava, ela chorava junto pois não sabia como dizer a ele que tudo ficaria bem. Andando pelo lugar, achou uma cachoeira com uma nascente de água doce e alguns pontos onde poderia encontrar frutas, pernoitavam um tempo em cada um até que ela encontrou uma construção inacabada um pouco distante da praia entre as árvores, aquela seria sua casa pelos próximos dias, assim ela pensou. Já havia se passado dois meses e nada, nenhuma embarcação passava próximo aquele lugar, até que um dia enquanto brincava com o filho próximo a uma grande árvore de raízes grossas e que continha uma toca em uma descida, ouviu um barulho que parecia o motor de um barco. Ela com extinto de proteção, fez sinal para que ele ficasse ali quieto e o menino mais entendido obedeceu, enquanto ela foi ver se era o resgate.

Ao se aproximar da praia, viu dois barcos e dois grupos de homens armados, pensou consigo: “Por que viriam armados, para uma missão de resgate.” Preferiu ficar ali e observá-los mais um pouco, sábia decisão. Dois deles começaram a discutir, pareciam ser os líderes de cada grupo, gritavam algo sobre uma carga que faltava, como não estava próxima não conseguia entender direito até que ouviu um tiro. Assustada, correu de volta para seu filho, fez sinal para que não fizesse barulho, os homens se aproximavam, ela abraçou o menino e se refugiou debaixo da toca de raízes da grande árvore. Um dos homens parou bem em cima, como as raízes eram grossas e estavam entrelaçadas ele não os viu, pensou, e ela só conseguiu ver sua sombra projetada pelo sol no chão em frente a toca. Ela permaneceu ali com a criança adormecida em seus braços até ouvir o barulho do motor novamente, mais ou menos umas duas horas depois, via conforme a altitude do sol, então saiu devagar, olhando para se certificar de que tinham ido embora, foi para a casa e ficou quieta, preferiu não acender nem a fogueira para não chamar a atenção deles, caso ainda estivessem por lá.

Saiu no outro dia para ver se algo mais tinha acontecido, ao ir até a praia só viu a mancha de sangue na areia, nenhum movimento ou barulho diferente do vento, dos pássaros e das ondas do mar. Ela contou as luas, dois meses depois os mesmos homens voltaram desta vez em minoria e deixaram caixas entre as árvores ao norte da ilha, agora ela pode confirmar: eram contrabandistas e assassinos. Além deles, nenhum outro barco passava perto, era como se somente eles soubessem da existência daquele lugar. De qualquer maneira, ela sabia de quanto em quanto tempo eles apareceriam pontualmente para deixar ou resgatar a carga, assim pode se prevenir colhendo as frutas e pegando água nos dias anteriores, para não sair no dia em questão.

Ela se cansou de ver e ouvir os tiros que davam, e nos dias seguintes só via o rastro de sangue na areia que ela cobria para que seu menino não visse. Além daquilo ela sempre encontrava em lugares diferentes, mas específicos depois que eles partiam, coisas perdidas como panelas, bacias, até mesmo mudas de roupa e certa vez uma faca. Pareciam coisas que deixavam ao acaso, que ela levava para casa junto as que chegavam a praia trazidas pelo mar. Assim, ela o criou até seus dezesseis anos, como ela perdeu a voz, ele não aprendeu a falar e só se comunicavam pelos sinais, quando precisavam chamar um ao outro batiam palmas e ela o ensinou tudo o que podia e conseguia sobre as plantas, principalmente sobre um macerado de ervas que ela mastigava e passava para sua boca desde pequeno para aliviar dores e curar infecções quando se machucava, na troca de dentes ou quando comia mangas de mais.

Como nem tudo são rosas, a mulher adoeceu e não existia ali alguma planta que pudesse curá-la, o garoto cuidou da mãe como ela dele até o último momento e então ficou sozinho e não poderia confiar em ninguém. Se passaram dez anos como se fossem dias, o garoto virou um homem forte, independente e cauteloso, e aquele lugar era sua casa, a que ele conhecia de canto a canto e cuidava com carinho sempre se lembrando de sua mãe e seus ensinamentos. Certa noite, estava inquieto, não conseguia dormir então saiu para dar uma volta, a lua parecia mais próxima da terra e iluminava seus passos até que pisou em um objeto, era uma pequena bolsa. Desconfiado olhou ao seu redor e mais à frente encontrou uma garota ferida e desacordada, pensou várias vezes em deixa-la ali e seguir seu caminho, mas algo falava mais alto em seu coração e então decidiu ajuda-la.

“No caminho para o amanhã
No meio do oceano grande
Eu grito bem alto, perguntando como suportar isso por mim.”
- Islands / Super Junior

 


Capítulo 4

 

Em Christmas Island ainda não tinham nenhuma notícia sobre o paradeiro de . As buscas seguiram mesmo sem muitas esperanças, pois estava próximo a completar um mês de seu desaparecimento. Um dos supervisores dela foi até lá para cobrar mais empenho dos colaboradores, como ela não tinha família e estava lá à trabalho pela empresa, se sentiam um tanto responsáveis e a consideravam uma pessoa de muito valor.

Na ilha desconhecida, já se sentia melhor, estava conseguindo até chupar as mangas levadas para ela por , que gentilmente as apertava um pouco para que ficassem mais macias e ela não se esforçasse tanto para mastigar, pois ainda estava com o rosto inchado.

— Olha para mim, estou toda suja. Tem algum lugar onde eu possa ir me limpar, tomar banho? Você sabe o que é isso, não é?
*Ele confirmou, indignado com a pergunta e fez um gesto para que ela o seguisse. Ela pegou suas coisas e foi com ele até uma cachoeira de águas cristalinas que se podia ver o fundo de tão transparente.
— É, vai servir. — quando ia começar a tirar a blusa percebeu que ele ainda estava ao seu lado parado olhando para o nada — Hey! Você vai ficar aqui?
*(Sim).
— Você não pode, eu preciso ficar sozinha.
*Fez o número um balançando a cabeça — (sozinha, não).
— Olha, tem um bom tempo que eu não sei o que é um banho e eu estou fedendo — ela abanou o nariz e ele achou engraçado — preciso de privacidade.
*(não).
— Ah! — já estava sem paciência, mas respirou fundo e tentou dialogar — Tudo bem, você pode pelo menos se afastar um pouco — fez o gesto abanando a mão para longe — e ficar de costas? Eu vou fazer barulho na água e você vai saber onde eu estou, por favor? — um pouco relutante, ele acabou concordando — Obrigada — ela fez sinal colocando a mão fechada no rosto.
Ele se afastou um pouco e se sentou de costas atrás de um arbusto em uma subida no caminho em que passaram, dali ainda teria vista para a cachoeira.

Mais tranquila, tirou a roupa suja e entrou na água se sentindo viva de novo. não conseguia aguentar a curiosidade e então por um pequeno instante, inclinou seu corpo para o lado olhando em direção a cachoeira, seus olhos imediatamente a encontraram. Ela não estava de frente, mas com a parte cima fora da água e lavava os cabelos colocando-os de lado deixando suas costas totalmente aparentes. Ele engoliu seco, seu coração deu um leve disparo e ele se aprumou, não entendendo que sensação era aquela evitou olhar novamente respirando fundo. Meia hora depois, ela havia se vestido e subiu o encontrando sentado lá, se levantou mais que depressa e ela suspeitou.

— Eu achei que estivesse mais longe, você ficou me olhando?
*(não) — fez sinal de loucura.
— Acho bom que esteja falando a verdade. — disse em tom de ameaça e ele murchou os ombros não dando relevância — Está ouvindo isso? — ao longe havia um som que ia aumentando conforme se aproximava, era um motor de barco. — É um barco, só pode ser o resgate, estão me procurando. — ela se animou.

Assim que ouviu se desesperou. Com a chegada de , estava tão distraído que não se lembrou que a data estava próxima, começou a fazer um monte de sinais de uma vez e como ela não conseguia entender nada pegou no braço dela e saiu puxando.

— O que está fazendo? Eu preciso ir vieram por minha causa. — tentava fazer com que a soltasse — Eles vão nos ajudar, qual é o seu problema? está me machucando! — ela gritou e ele parou de puxá-la e a soltou, o pulso dela estava vermelho tamanha força desmedida que fez, tentou tocá-la, mas se afastou assustada — Porque está agindo assim?
*Ele respirou fundo e fez sinal a chamando — (vem comigo).
— Nós temos que ir até eles, devem estar procurando você também.
*(não) — continuou fazendo os sinais mais lentamente agora apontando para longe se referindo aos homens — (eles não ajudam) — passou o dedo no pescoço e apontou para ela — (eles matam você)
— Matar? Não, eles não matam ninguém, você deve estar assustado é só isso.
*(não) — apontou para si, fez sinal de visão, passou o dedo no pescoço e depois girou para o alto — (eu vi matarem outros) — ela se assustou e ele continuou, passou as mãos como se houvesse algo debaixo delas, apontou o dedo para o pulso e a chamou novamente juntando as mãos em sentido de clamor — (sem tempo, vem comigo, por favor).
— Tudo bem. — ele apontou para um lugar mais alto do outro lado dos morros e os dois seguiram para lá, mas na metade do caminho ouviu os homens se aproximarem, como poderiam ser vistos preferiu dar a volta e chegaram até uma grande árvore que ele conhecia bem por ter uma espécie de toca debaixo das grossas raízes entrelaçadas.

Foi por um segundo, assim que se esconderam, um ao lado do outro bem próximos naquela pequena cavidade, outro grupo de homens se aproximava dali, falavam alto e xingavam muito. fazia sinal de silêncio enquanto um dos homens se aproximava de beira, fez cara de nojo quando ele começou a urinar na parte baixa. Ao ouvir um outro o apressando ele se recompôs e ao se virar ouviu um barulho, a perna dela escorregou sem querer, voltou sua atenção para baixo informando aos outros e um deles respondeu que deveria ser um esquilo. O homem pareceu satisfeito com a resposta os chamando de “ratos da floresta” com um tom de intolerância e então foi para junto dos outros e continuaram indo para seu destino, lado norte. já não conseguia mais ouvi-los e decidiu que já poderiam sair, mas ao olhar para o ombro dela viu uma aranha do tipo venenosa, mas não letal e fez uma cara preocupada, fez sinal para ela ficar calma.

— O que foi? — ela sussurrou.
*Ele estendeu a mão e colocou a outra sobre ela fazendo movimentos com os dedos andando, depois levou a mão para o ombro e em seguida apontou para o ombro dela — (aranha no seu ombro).
— O que tem meu ombro? — ela virou a cabeça e vendo aquela pequena e perigosa criatura, puxou todo ar que pode virando para ele e disse a mesma coisa rápido e várias vezes seguidas — Tira ela de mim, tira ela de mim, tira ela de mim!

pegou um pedaço de pau que estava próximo e com ele conseguiu mandar a aranha para longe, no impulso do alívio o abraçou agradecendo o deixando vermelho de vergonha, mas não deixou que ela notasse e assim que o soltou, ele saiu na frente a chamando e foram rapidamente para casa sem serem percebidos.

Como previsto, os homens fizeram o que tinha de fazer e foram embora. Já na casa, parecia não se sentir bem, a cabeça doía, estava suando sem fazer força e tendo tonturas quase desmaiando em cima de . Ela o levou para a cama, estava preocupada, não sabia o que acontecia e o que poderia fazer já que, não sabia tanto quanto ele sobre aquele lugar.

*Ainda lúcido repetiu o sinal da aranha, ela o havia picado e ele nem sentiu, fez sinal de visão para ela, bateu dois dedos na palma da mão e cruzou as duas em direções diferentes como da outra vez — (aranha, veja onde picou).
— Você foi picado, está de brincadeira? — ela começou a procurar, o virou de costas e achou uma marca de picada roxa pouco abaixo da costela próximo ao quadril.
*(está sujo) — sinalizou e foi desmaiando.
— Não, agora não, acorda você precisa me dizer o que fazer — ela o balançou sem sucesso, vendo que estava sozinha, tentou pensar e agir o mais rápido que pode, passou água sobre o ferimento e vendo mais de perto viu que tinha uma espécie de espinho agarrado a ele.

Pegou sua bolsa e tirou uma pinça de sobrancelha de dentro, com ela removeu o espinho e com ele saiu um líquido viscoso e transparente e logo após o sangue. continuou limpando até o líquido parar de sair, então olhou para a vasilha das folhas e ervas e mesmo que a ideia não agradasse se dispôs a fazer o que ele fazia, as colocou na boca e começou a mastigar, o primeiro impulso era de vomitar, mas aguentou firme e depois de apertá-las bem deu para ele da mesma forma, pegou o copo de seiva que ele mantinha e foi dando aos poucos. Por um tempo, ela não se preocupou com nada além dele, como tinha febres contínuas o dava o bendito remédio. Estava até criando tolerância ao gosto, fazia compressas, tentava alimentá-lo e deixá-lo hidratado, tudo o que ele fez por ela enquanto enferma, ela o fez por ele naquela ocasião.

Se passaram mais oito dias sem que ela percebesse, e só saia de perto dele para tomar banho, principalmente estando “naqueles dias”. estava melhorando aos poucos, quase já não tinha febre, mas dormia muito por causa das folhas do remédio, o mesmo acontecia com ela por isso também dormia muito quando tomava frequentemente, após a pancada que lhe arrancou os dentes. Enquanto isso em Christmas Island, já não havia mais o que fazer, usaram todos os recursos e como não a encontraram, resolveram suspender as buscas, na empresa em que trabalhava foi homenageada e tiraram um dia de luto em respeito à boa pessoa e exímia profissional dedicada que era.

 

“Em cima dos meus ombros nervosamente agitando
Você coloca suas mãos sem dizer uma palavra em cima da água.”
- Islands / Super Junior

 


Capítulo 5

 

Em Christmas Island ainda não tinham nenhuma notícia sobre o paradeiro de . As buscas seguiram mesmo sem muitas esperanças, pois estava próximo a completar um mês de seu desaparecimento. Um dos supervisores dela foi até lá para cobrar mais empenho dos colaboradores, como ela não tinha família e estava lá à trabalho pela empresa, se sentiam um tanto responsáveis e a consideravam uma pessoa de muito valor.

Na ilha desconhecida, já se sentia melhor, estava conseguindo até chupar as mangas levadas para ela por , que gentilmente as apertava um pouco para que ficassem mais macias e ela não se esforçasse tanto para mastigar, pois ainda estava com o rosto inchado.

— Olha para mim, estou toda suja. Tem algum lugar onde eu possa ir me limpar, tomar banho? Você sabe o que é isso, não é?
*Ele confirmou, indignado com a pergunta e fez um gesto para que ela o seguisse. Ela pegou suas coisas e foi com ele até uma cachoeira de águas cristalinas que se podia ver o fundo de tão transparente.
— É, vai servir. — quando ia começar a tirar a blusa percebeu que ele ainda estava ao seu lado parado olhando para o nada — Hey! Você vai ficar aqui?
*(Sim).
— Você não pode, eu preciso ficar sozinha.
*Fez o número um balançando a cabeça — (sozinha, não).
— Olha, tem um bom tempo que eu não sei o que é um banho e eu estou fedendo — ela abanou o nariz e ele achou engraçado — preciso de privacidade.
*(não).
— Ah! — já estava sem paciência, mas respirou fundo e tentou dialogar — Tudo bem, você pode pelo menos se afastar um pouco — fez o gesto abanando a mão para longe — e ficar de costas? Eu vou fazer barulho na água e você vai saber onde eu estou, por favor? — um pouco relutante, ele acabou concordando — Obrigada — ela fez sinal colocando a mão fechada no rosto.
Ele se afastou um pouco e se sentou de costas atrás de um arbusto em uma subida no caminho em que passaram, dali ainda teria vista para a cachoeira.

Mais tranquila, tirou a roupa suja e entrou na água se sentindo viva de novo. não conseguia aguentar a curiosidade e então por um pequeno instante, inclinou seu corpo para o lado olhando em direção a cachoeira, seus olhos imediatamente a encontraram. Ela não estava de frente, mas com a parte cima fora da água e lavava os cabelos colocando-os de lado deixando suas costas totalmente aparentes. Ele engoliu seco, seu coração deu um leve disparo e ele se aprumou, não entendendo que sensação era aquela evitou olhar novamente respirando fundo. Meia hora depois, ela havia se vestido e subiu o encontrando sentado lá, se levantou mais que depressa e ela suspeitou.

— Eu achei que estivesse mais longe, você ficou me olhando?
*(não) — fez sinal de loucura.
— Acho bom que esteja falando a verdade. — disse em tom de ameaça e ele murchou os ombros não dando relevância — Está ouvindo isso? — ao longe havia um som que ia aumentando conforme se aproximava, era um motor de barco. — É um barco, só pode ser o resgate, estão me procurando. — ela se animou.

Assim que ouviu se desesperou. Com a chegada de , estava tão distraído que não se lembrou que a data estava próxima, começou a fazer um monte de sinais de uma vez e como ela não conseguia entender nada pegou no braço dela e saiu puxando.

— O que está fazendo? Eu preciso ir vieram por minha causa. — tentava fazer com que a soltasse — Eles vão nos ajudar, qual é o seu problema? está me machucando! — ela gritou e ele parou de puxá-la e a soltou, o pulso dela estava vermelho tamanha força desmedida que fez, tentou tocá-la, mas se afastou assustada — Porque está agindo assim?
*Ele respirou fundo e fez sinal a chamando — (vem comigo).
— Nós temos que ir até eles, devem estar procurando você também.
*(não) — continuou fazendo os sinais mais lentamente agora apontando para longe se referindo aos homens — (eles não ajudam) — passou o dedo no pescoço e apontou para ela — (eles matam você)
— Matar? Não, eles não matam ninguém, você deve estar assustado é só isso.
*(não) — apontou para si, fez sinal de visão, passou o dedo no pescoço e depois girou para o alto — (eu vi matarem outros) — ela se assustou e ele continuou, passou as mãos como se houvesse algo debaixo delas, apontou o dedo para o pulso e a chamou novamente juntando as mãos em sentido de clamor — (sem tempo, vem comigo, por favor).
— Tudo bem. — ele apontou para um lugar mais alto do outro lado dos morros e os dois seguiram para lá, mas na metade do caminho ouviu os homens se aproximarem, como poderiam ser vistos preferiu dar a volta e chegaram até uma grande árvore que ele conhecia bem por ter uma espécie de toca debaixo das grossas raízes entrelaçadas.

Foi por um segundo, assim que se esconderam, um ao lado do outro bem próximos naquela pequena cavidade, outro grupo de homens se aproximava dali, falavam alto e xingavam muito. fazia sinal de silêncio enquanto um dos homens se aproximava de beira, fez cara de nojo quando ele começou a urinar na parte baixa. Ao ouvir um outro o apressando ele se recompôs e ao se virar ouviu um barulho, a perna dela escorregou sem querer, voltou sua atenção para baixo informando aos outros e um deles respondeu que deveria ser um esquilo. O homem pareceu satisfeito com a resposta os chamando de “ratos da floresta” com um tom de intolerância e então foi para junto dos outros e continuaram indo para seu destino, lado norte. já não conseguia mais ouvi-los e decidiu que já poderiam sair, mas ao olhar para o ombro dela viu uma aranha do tipo venenosa, mas não letal e fez uma cara preocupada, fez sinal para ela ficar calma.

— O que foi? — ela sussurrou.
*Ele estendeu a mão e colocou a outra sobre ela fazendo movimentos com os dedos andando, depois levou a mão para o ombro e em seguida apontou para o ombro dela — (aranha no seu ombro).
— O que tem meu ombro? — ela virou a cabeça e vendo aquela pequena e perigosa criatura, puxou todo ar que pode virando para ele e disse a mesma coisa rápido e várias vezes seguidas — Tira ela de mim, tira ela de mim, tira ela de mim!

pegou um pedaço de pau que estava próximo e com ele conseguiu mandar a aranha para longe, no impulso do alívio o abraçou agradecendo o deixando vermelho de vergonha, mas não deixou que ela notasse e assim que o soltou, ele saiu na frente a chamando e foram rapidamente para casa sem serem percebidos.

Como previsto, os homens fizeram o que tinha de fazer e foram embora. Já na casa, parecia não se sentir bem, a cabeça doía, estava suando sem fazer força e tendo tonturas quase desmaiando em cima de . Ela o levou para a cama, estava preocupada, não sabia o que acontecia e o que poderia fazer já que, não sabia tanto quanto ele sobre aquele lugar.

*Ainda lúcido repetiu o sinal da aranha, ela o havia picado e ele nem sentiu, fez sinal de visão para ela, bateu dois dedos na palma da mão e cruzou as duas em direções diferentes como da outra vez — (aranha, veja onde picou).
— Você foi picado, está de brincadeira? — ela começou a procurar, o virou de costas e achou uma marca de picada roxa pouco abaixo da costela próximo ao quadril.
*(está sujo) — sinalizou e foi desmaiando.
— Não, agora não, acorda você precisa me dizer o que fazer — ela o balançou sem sucesso, vendo que estava sozinha, tentou pensar e agir o mais rápido que pode, passou água sobre o ferimento e vendo mais de perto viu que tinha uma espécie de espinho agarrado a ele.

Pegou sua bolsa e tirou uma pinça de sobrancelha de dentro, com ela removeu o espinho e com ele saiu um líquido viscoso e transparente e logo após o sangue. continuou limpando até o líquido parar de sair, então olhou para a vasilha das folhas e ervas e mesmo que a ideia não agradasse se dispôs a fazer o que ele fazia, as colocou na boca e começou a mastigar, o primeiro impulso era de vomitar, mas aguentou firme e depois de apertá-las bem deu para ele da mesma forma, pegou o copo de seiva que ele mantinha e foi dando aos poucos. Por um tempo, ela não se preocupou com nada além dele, como tinha febres contínuas o dava o bendito remédio. Estava até criando tolerância ao gosto, fazia compressas, tentava alimentá-lo e deixá-lo hidratado, tudo o que ele fez por ela enquanto enferma, ela o fez por ele naquela ocasião.

Se passaram mais oito dias sem que ela percebesse, e só saia de perto dele para tomar banho, principalmente estando “naqueles dias”. estava melhorando aos poucos, quase já não tinha febre, mas dormia muito por causa das folhas do remédio, o mesmo acontecia com ela por isso também dormia muito quando tomava frequentemente, após a pancada que lhe arrancou os dentes. Enquanto isso em Christmas Island, já não havia mais o que fazer, usaram todos os recursos e como não a encontraram, resolveram suspender as buscas, na empresa em que trabalhava foi homenageada e tiraram um dia de luto em respeito à boa pessoa e exímia profissional dedicada que era.

 

“Em cima dos meus ombros nervosamente agitando
Você coloca suas mãos sem dizer uma palavra em cima da água.”
- Islands / Super Junior

 


Capítulo 6

 

Depois daquele dia se tornaram inseparáveis, ela não tinha mais vergonha dele e não gastava tempo com pensamentos vazios sobre o futuro, pois ele demonstrava o tempo todo o quanto a amava e a queria. Passou se mais um mês, tudo estava tranquilo ele acabava de chegar em casa com bananas e dois peixes que ele mesmo limpava para ela cozinhar (porque sim, dividiam tudo até as tarefas). Até ali tudo bem, sentaram para comer e então começou a se sentir mal e teve que correr para fora para vomitar, ele foi atrás preocupado.

*(você está bem?) — sinalizou e pegou no rosto dela o limpando.
— Estou bem, o peixe não deve ter me feito bem só isso.
*(fique aqui, vou buscar água de coco) — sinalizou e sorriu.
assentiu e ele se afastou, começou a massagear a barriga e de repente pensou: “Estranho, eu adoro peixe.” Então percebeu que estava atrasada, entrou em pânico e foi caminhando sem rumo para a praia.
— Não pode ser, isso não está acontecendo, eu não posso estar gravida. Na verdade eu posso, mas não posso. — queria chorar e aí veio a questão — E como vou dizer isso para ele? Eu não acredito que isto está acontecendo.

voltou com o coco, como não a viu bateu palmas e não tendo resposta receou que pudesse ser algo sério, foi procurando até a achar minutos depois sentada de frente para o mar. Se sentou ao lado dela a entregando o coco, sem saber o que dizer e como dizer ela sorriu em agradecimento. Como estavam juntos a um tempo, ele conseguiu perceber que ela estava diferente e já a conhecendo preferiu não perguntar, fez uma expressão de frio passando as mãos nos braços e então a abraçou sorrindo e pensando: “Não importa o que seja, mesmo que ela não me diga estarei com ela e farei o que for por ela.”
    
levou dois dias para criar coragem e então a noite quando foram se deitar ela o sentou à sua frente e começou a tentar explicar.

— Eu tenho que te dizer uma coisa, mas eu não sei bem como então, você precisa prestar bastante atenção, tudo bem? — ela fazia uma cara de desespero e achava graça a deixando mais nervosa. — Por favor é sério — o repreendeu e ele assentiu segurando o riso — Já vi que não tem outro jeito então lá vai — respirou fundo — Eu estou grávida. — o olhou esperando alguma reação, mas ele nem ao menos entendeu o que significava, sua mãe não o ensinou sobre aquilo (pelo menos não teve tempo para isso) simplesmente ele murchou os ombros. — Como assim não se importa? — ela o entendeu mal.
*(espera) — sinalizou e continuando — (desculpa, não entendo o que disse).
— Ah é, eu devia ter imaginado, vou tentar de outro jeito. — ela ficou fazendo uma bola com as mãos em volta da barriga.
*(está cheia de coco) — sinalizou tentando adivinhar.
— Não, não é isso, olha para mim, presta atenção. — ela repetiu o gesto e nada dele entender — Isso não vai dar certo. — queria desistir.
*Ele sinalizava para ela imitá-lo, levantando e abaixando as mãos mostrando tranquilidade — (respira fundo).
— Está bem. — fez o que ele recomendou e prestando atenção no que ele fazia pensou: “Se eu quero que ele me entenda tenho que pensar como ele e fazer da mesma forma.” Então veio a ideia — Eu acho que já sei como te dizer isso. — ela apontou para ele e fez o número um com o dedo, apontou para ele novamente e depois para si fazendo o número dois com dois dedos e deu dois toques na cabeça para saber se ele havia entendido.
*(entendi, eu sou um, eu e você somos dois) — repetiu seus sinais.
— Isso (é agora) — ela apontou para ele, depois para si e então para sua barriga e mostrou três dedos.
*(três? eu não vejo) — sinalizou confuso.
— Calma, você vai entender. — ela continuou, abaixou a mão com a palma para baixo, apontou para ele e novamente para sua barriga, depois apontou para si e levantou a mão com a palma para baixo acima de sua cabeça — (filho seu, aqui dentro, eu sou mãe)
*(meu filho) — ele passava a mão na cabeça e ficava repetindo os sinais até finalmente entender. Ficou surpreso e eufórico, não sabia o que fazer, sorria, se levantava dava a volta e sentava de novo, parecia uma criança ganhando um presente muito inesperado, deu vários beijos em seu rosto e levantava a blusa dela para ver a barriga.
— Ainda não dá para ver, tem que esperar um pouco. — ela foi contagiada e também sorria com a empolgação dele, então ele fez uma pergunta interessante.
*Apontou para ela e colocou a mão acima dele com a palma para baixo, em seguida fez a interrogação apontando para si — (você é mãe, o que eu sou?)
— Você é pai. — vendo que para aquela palavra não havia sinal, ela colocou a mão direita fechada do lado esquerdo do peito e a repetiu apontando para ele — Pai.
*Ele fez o sinal e apontou para a barriga dela — (sou pai dele) — e recebendo a confirmação dela sorria ainda mais a abraçando e passando a mão de leve sobre a barriga dela.

Ela não imaginava que ele teria aquela reação de felicidade, e pela primeira vez ela pensou na palavra família de forma diferente, como algo renovador.  

 

“Conectando-nos de coração para coração
Desdobramento estrada para mim.”
- Islands / Super Junior

 


Capítulo 7

 

Os dias foram passando, mas o que não passava era a alegria e a constância no cuidado que tinha com ela, as vezes era até chato, pois não a deixava carregar nada que lhe parecesse pesado, como cocos por exemplo. Isso a irritava, mas logo passava pois ela via o quanto ele se esforçava para cuidar dela e do bebê. Completavam mais um mês e estava entediada de ficar ali parada sem poder fazer praticamente nada, aproveitando que ele havia ido à praia pescar algo para o jantar, decidiu dar uma volta. Meio sem rumo, estava um tanto distante da casa, e então quando decidiu voltar antes que ele sentisse sua falta, avistou um pé de amoras silvestres, ficou enfeitiçada e não conseguiu ir sem antes comer algumas, totalmente distraída foi pega de surpresa por dois homens, antes que pudesse correr ou gritar, o mais alto a agarrou e tampou sua boca.

— O que vamos fazer com ela? — disse o que a segurava.
— Não sei, mas ideia é o que não vai faltar. Está sozinha? — o outro perguntou a ela que confirmou para proteger (mas naquela situação, não conseguiria proteger nem a si mesma. — Hum, com certeza está mentindo, de qualquer jeito vamos levá-la, prazer nunca é demais e se aparecer mais alguém, matamos. Agora vamos.

Ao ouvi-los, o coração dela quebrou, no mesmo instante bem mais longe dali sentiu uma sensação estranha, um pressentimento e decidiu voltar para casa. Enquanto isso os homens a levaram para os penhascos do lado norte, onde guardavam as cargas de contrabando. quando chegou em casa e não a encontrou se preocupou, sabia em seu íntimo que algo estava errado e começou a procurá-la. O sol estava se pondo e logo iria escurecer ficando mais difícil achá-la, ele decidiu olhar na praia mais ao norte e assim que viu o barco a motor ancorado na areia se desesperou.

Os homens tiveram um problema no motor e precisaram remar, por isso não ouviram o barulho de alerta. Ele entrou correndo na floresta passando pelo caminho que os contrabandistas usavam, ao passar pelo pé de amora encontrou muitas pisadas no chão, seu coração palpitava, e ao ver um dos brincos dela no chão teve certeza que estiveram ali e não quis imaginar o que poderiam fazer a ela. Respirou fundo, como sabia exatamente onde guardavam o contrabando, precisava agir com cautela para não arriscar a vida dela.

A noite chegou escura e densa, os homens a amarraram a uma árvore amordaçada e acenderam uma fogueira, a mercadoria estava um pouco mais abaixo atrás dela, era a clareira de um penhasco de uma altura considerável e na parte de baixo só haviam pedras. ficou quieta ouvindo a conversa deles e pensando no que poderia lhe acontecer.

— O está bem estressado John, se imaginar que estivemos aqui sem permissão, estaremos mortos antes de sair dessa ilha infernal. — Dizia o mais alto abanando os mosquitos.
— Não se preocupe Zachary, só pegaremos algumas coisas, o máximo que ele vai pensar é que os tailandeses o passaram para trás. — mexendo na fogueira.
— Ainda sim, isso me preocupa e para completar achamos esta mulher, vai saber quem mais pode estar rondando a ilha.
— Coragem homem se tiver mais alguém, faremos o de sempre, degolamos, jogamos ao mar, o que for mais divertido.
— Sua naturalidade me impressiona. — ouviu um barulho no meio do mato — Ouviu isto?
— O que foi agora? — John bebia uma garrafa de uísque escocês que tirou da caixa, já estava perdendo a paciência com a neura de Zachary.
— Ouvi um barulho vindo lá de baixo, você não?
— Não, não ouvi nada, mas se quiser vai dar uma olhada para ter certeza, pode ser um esquilo assassino.
— Você é um idiota, vou tirar água do joelho.
— Vai logo e me deixe paz. — Zachary se afastou e John continuou ali bebendo e olhando para o nada.

O barulho na verdade era nada mais nada menos que tentando distraí-los, se aproximou de com o dedo na boca pedindo silêncio e a desamarrou, ao ajudá-la a se levantar pisou em um fino e seco graveto chamando a atenção de John. Ele se levantou soltando a garrafa indo em direção a arma que estava a alguns passos dele, mas se jogou contra ele o impedindo, eles lutaram e ficaram agarrados à beira do penhasco. John empurrava o rosto dele que vendo a beira, se esforçou mais e conseguiu se desprender o acertando um soco na costela, sentindo o golpe John o soltou e aproveitando a oportunidade lhe chutou fazendo-o se desequilibrar e cair de costas nas pedras abaixo morrendo instantaneamente. Ao se virar viu Zachary que havia retornado segurando pelos cabelos a ameaçando com uma faca.

— É melhor ficar mansinho ou eu corto a sua garota. — ele foi deslizando as costas da faca do pescoço até sua barriga dela deixando nervoso então começou a fazer sinais para que ela dissesse a Zachary — O que é isso, o que está fazendo?
— Ele não pode falar, é assim que se comunica. — ela disse
— Eu não te perguntei nada. — ele puxou ainda mais os cabelos da garota.

Ao ouvi-la gritar de dor ardendo de raiva deu dois passos na direção dele, mas teve que se segurar pois Zachary segurava a faca com firmeza na garganta dela. Com lágrimas escorrendo no rosto, ele continuou a fazer sinais pedindo calma.

— Se eu fosse você não daria um de esperto! Já que você é tão prestativa, me fala o que ele está dizendo.
— Ele disse que você não precisa ficar nervoso, ele não vai tentar nada.
— Estamos começando a nos entender. — Viu que ele continuava a fazer os gestos — E agora o que ele disse?
— Ele está pedindo para você me soltar e que vai fazer o que você quiser.
— Interessante sua proposta, até porque como matou o meu parceiro eu vou mesmo precisar de ajuda para levar estas coisas. Tradutora? — a chamou assim vendo que ele fez outros sinais.
— Ele disse que ajuda. — ela já não estava mais aguentando, a impressão que tinha é que a qualquer momento ficaria sem a cabeça, pelo modo em que ele segurava seus cabelos. — Por favor ele vai te ajudar.
— É uma boa proposta, mas eu acho que vou ter que recusar. É uma questão de princípios, então depois que eu matar você vou me divertir um pouco com a gracinha aqui.

Zachary continuou falando, mas ela não prestou mais atenção, ao ouvi-lo falar aquilo se revoltou, olhou nos olhos de e aguardou. Em uma leve distração dele ao apontar a faca para frente, ela foi com toda força que tinha (perdendo uns fios de cabelo) e mordeu o braço dele fazendo-o soltar a faca. Irado, Zachary voltou a mão contra ela lhe dando um tapa e a lançou com toda força contra um tronco que estava próximo. No mesmo instante, com um ódio descomunal, partiu para cima dele e não o deu tempo de revidar dando socos um atrás do outro. Zachary tentava se afastar de costas, mas em vão acabou indo em direção à beirada já tonto pelos golpes do rapaz enfurecido, nem mesmo ao cair de joelhos parou de apanhar.

o pegou pelo colarinho e continuou dando socos de direita, por fim até suas mãos estavam machucadas, mas aquela adrenalina não o deixou sentir nada mais, além da vontade de exterminar o homem que machucou a pessoa que ele amava e provavelmente já havia machucado tantas outras. Sendo assim ele não pensou duas vezes e o jogou nas pedras junto do outro, parecia outra pessoa e só voltou a si quando chamou seu nome em meio a gemidos. O rapaz correu a seu encontro apavorado sem saber o que fazer para ajudá-la, ela chorava de soluçar, dizia que doía muito com as mãos na barriga e estava sangrando. Tentou acalmá-la, a pegou nos braços e a levou no colo para casa, sentia tanta dor que ao se agarrar no pescoço dele deixou vários arranhões.

Mesmo cansado da luta, com as mãos machucadas e os arranhões involuntários ele não parou até chegar em casa, a colocou na cama e fez o macerado das folhas a dando imediatamente, a limpou e esperou que ela adormecesse para poder cuidar de suas próprias feridas. 

 

“No caminho para o amanhã
No meio do oceano grande
Eu grito bem alto, perguntando como suportar isso por mim.”
- Islands / Super Junior

 


Capítulo 8

 

Passou uns dias deitada de repouso, como não tinha certeza se o bebê ainda estava lá, preferiu não dizer nada a ele por enquanto. Durante aqueles dias ouviram o barulho que os causava medo, o motor do barco, ela não queria que ele saísse, mas saiu escondido dela para ver o que os homens fariam ao verem os corpos que ele deixou, então se escondeu e ficou ouvindo os homens.

— Acho que estavam roubando da carga senhor. — disse um dos homens.
— Esses infelizes — cuspiu e então pegou a garrafa seca de uísque — Provavelmente beberam além da conta e acabaram brigando para ver quem ficaria com a maior parte.
— O que vamos fazer agora ? — perguntou um outro.
— Vamos levar o que eles deixaram.
— E os corpos?
— Deixe para os abutres, tiveram o fim que mereciam. Vamos ficar um tempo fora de circulação nesta área.
— E para onde vamos senhor?
— Angola, já estão nos esperando por lá Carlos, terminem logo de carregar os barcos, esse lugar fede, vamos sair o mais rápido possível daqui. — limpava as mãos com um lenço.
— Sim senhor. — os cinco responderam e carregaram tudo.
ficou espiando até que fossem embora e sumissem de vista no mar, depois voltou para ficar com que respirou mais aliviada ao vê-lo bem.

Os dias passavam rápido, e em uma manhã enquanto ele foi pegar mais ervas no mato, acordou com um mal-estar que já conhecia, estava molhada e ao olhar viu que era sangue, então vieram as lágrimas com a certeza de que realmente tinha perdido o bebê. Se levantou e foi caminhando devagar até o cachoeira e ficou dentro da água de roupa e tudo chorando. passava por ali casualmente e ao vê-la estranhou e resolveu descer até lá para saber se estava bem. Como estava de costas não o viu, ele então bateu as palmas sorrindo, ela se virou e assim que viu seu rosto abatido em lágrimas entrou de imediato dentro da água e a pegou no colo gentilmente levando-a de volta para casa. Colocou a na cama e pegou um pano para secá-la, assim que começou a passar nas pernas dela, ela segurou suas mãos fazendo com que ele focasse os olhos nela.

— Eu, preciso te dizer uma coisa — ela levantou a mão com os três dedos para cima e com a outra mão devagar foi abaixando o terceiro dedo e balançando a cabeça intensificando mais o choro. — Ele foi embora.
* ficou olhando para ela até não conseguir mais segurar as lágrimas, limpava seu rosto rápido com o antebraço e tentou confortá-la sinalizando — (está tudo bem, eu estou aqui, eu não vou embora). — assentiu e ele a abraçou forte por um longo tempo.

Se passaram três semanas depois daquele dia, tudo estava voltando ao normal, mas ainda estava triste. Ficava quieta a maior parte do tempo, revivendo aquele momento em sua cabeça e com medo de acontecer de novo não deixava que ele a tocasse. era paciente e fazia de tudo para agradar e animar ela, mas sem sucesso as vezes sentava à beira mar e pensava: “Mãe, o que eu faço?” E em um certo dia teve resposta. Enquanto caminhava pela floresta passou por uns pequenos arbustos de flores silvestres alaranjadas e se lembrou que ela gostava daquelas flores, pegou uns ramos e ao se levantar de frente a uma árvore, pensou ter visto algo nela, se aproximou mais e limpando um tipo de lodo conseguiu identificar um desenho que fez com sua mãe a muito tempo antes dela morrer.

Eram dois riscos, um maior que o outro que representavam ele e ela e a forma de um coração que representava o amor. Realmente fazia tanto tempo que não passava por aquele lugar que ficou ali um tempo se lembrando de quando ela ainda era viva e fizeram aquele desenho para que soubesse que estariam sempre juntos.

*(obrigada mãe) — ele sinalizou e voltou para casa.

estava de pé em frente à mesa lavando as folhas com a água de um balde e não percebeu quando ele entrou, levou um susto quando ele se aproximou a tocando no ombro.

— Você me assustou, eu achei que... — se lembrou daqueles homens horríveis e preferiu não continuar — deixa para lá.
*(me desculpa, por favor) — sinalizou.
— Está tudo bem, eu devia estar muito distraída mesmo.
*(espera, tem uma coisa para você) — sinalizou e foi para fora voltando rapidamente com as mãos para trás causando um olhar curioso nela, quando chegou perto dela cobriu seus olhos com uma das mãos e levantou a outra com as flores. Assim que ele tirou a mão, vendo as flores deu um leve sorriso para ele as recebendo e sentindo seu aroma.
— Obrigada, elas são lindas.
*(você também) — sinalizou sorrindo e colocou uma das flores no cabelo dela, então respirou fundo e fez um sinal que até então não imaginava que faria para outra pessoa além de sua mãe, apontou para si, fez um coração com as mãos e apontou para ela a deixando totalmente sem ação — (eu amo você).
— Eu não sei o que dizer. — sabia, mas não conseguia.
*(não me entendeu?) — perguntou.
— Entendi, eu tenho que terminar isso já vai escurecer — quando sentiu as lágrimas descerem seu rosto se virou de costas tentando esconder dele limpando o rosto.
pensou em ir embora, mas não podia desistir dela, não queria desistir, então ele passou as mãos sobre seus ombros a envolvendo delicadamente em um abraço.
... — ela disse, mas ele não soltou e começou a beijar seu pescoço suavemente.

Ela sentia aquele toque e não tinha forças para se afastar, também o amava e não podia mais negar que aquele sentimento era mais forte do que qualquer sofrimento que pudesse ter passado em toda sua vida. a virou devagar e a beijou com todo intensidade do seu amor, a partir disso não houve mais resistência, ela se entregou de corpo, alma e coração escolhendo viver aquele amor sem se importar com o que pudesse acontecer.  

 

“Cores em meu coração todos os dias
Com a mesma luz
Nós somos feitos como um só, para sempre
Quando olhamos um para o outro.”
- Islands / Super Junior


Capítulo 9

 

Agora sim eles estavam realmente bem, como um casal que se ama e está curtindo a felicidade a dois. estava sempre junto dele, não o perdia de vista e com não era diferente, todo carinhoso e muito protetor. Mais dois meses juntos e aqueles homens realmente não apareceram, puderam ir a outros lugares da ilha que ainda não conhecia. Em um dia quente, eles iam sair para pegar carambolas no lado oeste, mas ela não amanheceu se sentindo bem, então disse para ele ir sozinho e que ficaria bem. Quando ele voltou caminhando pela praia a viu sentada em um tronco olhando o mar e foi até ela. Assim que o viu, se levantou e parecia ansiosa.

*(você está melhor?) — sinalizou deixando as frutas ao lado.
— Estou... e nosso filho também. — ele a olhou confuso e então ela levantou a mão mostrando dois dedos, devagar levantou o terceiro e a seguir abraçou a barriga — Ele está aqui.
*Ele sorriu, não estava acreditando e sinalizava — (três) — e quando a ficha foi caindo, apontou para ela e para si mesmo em zigzag abaixando a mão com a palma para baixo — (nosso filho) — ele começou a chorar emocionado e continuou sinalizando — (eu cuido de você e dele, eu amo você e ele também).
— Nós dois também amamos você. — chorando e rindo ao mesmo tempo, eles se abraçaram, ele a beijou e a sua barriga, foi encantador o jeito que ele ficou e então ela pensou com certeza: “Eu não poderia ter escolhido melhor, ele é o bastante para mim.”

Os meses foram passando e a barriga crescendo mais e mais, ficava por perto dando instruções enquanto ele trabalhava em um berço improvisado, mas também era uma distração, pois ele parava toda hora para acariciar sua barriga, fofo ao extremo. Ele cortou duas árvores que impediam o sol de entrar pela janela e aquecer a casa durante o dia com a supervisão de e com os troncos melhorou a cama e o telhado que vazava um pouco a água da chuva. tinha que sair mais vezes para pegar comida e no ponto de vista dele nunca era o suficiente, pois o tempo todo a via comendo alguma coisa, achava incrível e assustador ao mesmo tempo.

O mundo exterior era nada, irrelevante perto da maravilha que estava acontecendo com eles, e mesmo tendo crescido na cidade não sentia falta de nada, estava feliz e finalmente teria uma família. Estava tudo pronto e faltava pouco tempo para o bebê nascer, ela já não saia e sentia um desconforto enorme, pois a barriga já estava pesando e se cansava rapidamente, dormia muito e a qualquer hora. O futuro papai ficava impressionado e ria quando tocava sua barriga e sentia o bebê se mexer, para era fantástico e incômodo ao mesmo tempo, porque eram chutes bem fortes geralmente. teve que estocar comida mais rápido, pelo menos o que não estragaria com facilidade e acumular lenha para o frio, então passaram a acender o fogo só para cozinhar já que a casa iria ficar mais quente durante o dia, ele precisava estar com ela quando chegasse a hora e realmente não demorou.

No fim de uma tarde quente e chuvosa, começou a ter contrações fortes (já havia passado os dois últimos dias incomodada) e de repente ao sentir que vazava um líquido entre as pernas, gritou.

! — ele apareceu assustado na porta a olhando preocupado — é agora, ele quer sair, ai. — contração, respirava fundo.
*(agora, o que eu faço?) — ele estava sem saber como ajuda-la.
— Pega água e aqueles panos ali — apontou para uns panos rasgados sobre a mesa e ele foi imediatamente pegar — Agora você vai ter que esterilizar a faca, passa ela no fogo e traz para mim está bem — ele obedeceu e voltou com ela ainda quente. pegou nas mão dele e olhando disse — Eu preciso de você, vai ter que ajudar ele a sair entendeu? — ele assentiu respirando fundo junto com ela a cada contração.

Como sempre pesquisava sobre tudo, já havia lido sobre partos e a partir dali ela foi dando as instruções para ele com calma quando não estava gritando de dor. Seguindo suas orientações, fez um pequeno corte nela e enquanto ela fazia força ele empurrava a barriga para baixo e já conseguia ver a cabeça. sabia que tinha que fazer uma força maior para que ele saísse então, reuniu suas forças e o empurrou fazendo com que saísse de uma vez aos berros já na metade da noite. o segurou meio sem jeito, sorrindo, o passou para ela e logo o menino se acalmou, ela mandou que lavasse e passasse a faca no fogo novamente, então ela mesma cortou o cordão umbilical e limpou o bebê com panos limpos e úmidos, deixando-o envolvido em uma de suas camisas.

Depois de uns minutos com as contrações expulsou a placenta e as membranas, aguentou firme e mesmo com nojo limpou tudo bem rápido e ficou próximo admirando a cria. mesmo fazendo tudo certo, estava se sentindo estranha, alguma coisa não estava certa até que sentiu algo se mexer em sua barriga e fez uma expressão de susto, parecia que ainda não tinha acabado.

*(o que foi, está tudo bem) — passou a mão no rosto dela.
, acho que não somos só três, somos quatro. — apontou para sua barriga e lhe mostrou quatro dedos, ele ficou meio tonto na hora — Você vai precisar fazer tudo de novo, você consegue?
*(sim, quatro) — estava surpreso e encabulado olhava para seus quatro dedos e sorria mal acreditando que aquilo era real.

Ouvindo ela gemer de dor com as contrações, ele voltou a si e foi novamente lavar e passar a faca no fogo. Desta vez demorou um pouco mais, ela estava muito cansada e já sem forças o dia começava a clarear e em uma última tentativa em que respirou fundo o segundo bebê começou a sair e vendo a exaustão de , não pensou muito e o puxou, só que ele não chorava. Ela pediu para que a entregasse e enchendo os pulmões lhe deu uns tapinhas o fazendo abrir a boca com vontade, o que trouxe alívio aos dois.

Ela repetiu todo o procedimento de limpeza e expulsão dos restos fetais, colocou o primeiro do lado do segundo junto a ela na cama e ficou olhando enquanto ela analisava os bebês e procurava qualquer coisa de diferente como imperfeições, já que sua gravidez não tinha sido acompanhada por um médico, nada convencional, e ainda estavam no meio do mato rodeada de todo tipo de bactérias. Por fim deu graças a Deus, pois não tinham nenhum problema físico, só encontrou uma mancha de nascença no primogênito acima do ombro e era isso o que os diferenciava já que eram gêmeos, mesmo de placentas diferentes.

— Acho que eles precisam de nomes, não é?
*(você escolhe) — ele estava incandescente de alegria e como não conseguiria falar preferiu que ela dissesse.
— O que acha de Miguel para o primeiro — depois de gesticular os lábios ele sorriu assentindo — Então seu nome é Miguel. Bem eu não pensei em outros nomes, até então eu achava que era só um.
*(espera) — ele sinalizou, foi ao outro cômodo e então a trouxe a foto dele com sua mãe e ela o releu.
— Eu acho perfeito que ele se chame Ji-hun, é uma bela homenagem ao seu pai. — ele sorria incansavelmente concordado — Acho que eles também gostaram dos nomes.

nunca havia sequer imaginado tamanha felicidade e ria de que apesar de ter ajudado a trazê-los ao mundo estava com medo de tocá-los, como se fossem a mais fina porcelana. Mas o que realmente importava agora é que eram uma família grande, linda e cheia de amor.

 

“Torna-se o sol que se põe no meu coração
Você está sempre lá, encontrar caminho para mim.”
 - Islands / Super Junior


Capítulo 10

 

Completava se dois meses do nascimento dos gêmeos, estava recuperada e mais forte que nunca, afinal tinha que dividir a atenção dela com os pequenos Miguel e Ji-hun, sem falar de que as vezes também parecia uma criança, mas sempre a ajudando em tudo principalmente com os meninos. Como tinham que manter tudo limpo para os meninos não pegarem nenhuma infecção, lavavam constantemente os panos e tudo o que tinha lá que pudessem utilizar, eles revezavam e essa era a vez de . Ela beijou os bebês e ao se levantar para sair recebeu uma reclamação, pois havia se esquecido de .

— Eu não me esqueci não seu bobo. — deu um beijo nele que a puxou de volta dando outro e só depois a deixou sair.

Como a água que buscaram anteriormente havia acabado, ela precisou ir até a cachoeira, lavou as peças e aproveitou para tomar um banho, demorando um pouco mais que de costume. Como estava próximo a cascata e dava mergulhos não conseguia ouvir nenhum outro barulho, já ouviu um barulho diferente que aumentava e parecia passar sobre sua casa, quis sair, mas não podia deixar os meninos sozinhos e se preocupou, pois ainda não tinha voltado. Era um monomotor que estava pousando na praia ao norte, pois era mais aberta e de fácil pouso. só conseguiu ouvir quando saiu da água, se vestiu, pegou os panos ainda úmidos e foi ver o que era.

Se aproximando da praia, se escondeu atrás de uma árvore, viu dois homens perto do pequeno avião tirando umas caixas plásticas transparentes com uns equipamentos, mas nada de armas e nem de longe pareciam com aqueles contrabandistas. Concentrada nos rapazes do avião não percebeu que havia um terceiro atrás dela andando distraído e quando a viu achou estranho e se aproximou.

— Procurando alguma coisa. — disse fazendo-a se virar assustada.
— Quem são vocês e o que querem aqui? — apesar dele ser bonito e ter o semblante calmo e simpático, respirava a medo, mas não fraquejaria.
— Nós somos geólogos e descobrimos essa ilha por acaso. — disse de forma gentil e educada, olhando para ela toda — E eu posso saber quem é você?
— Eu moro aqui.
— Mora aqui, que estranho, nós sobrevoamos e não vemos nenhuma casa, são quantos habitantes?
— Só eu, e meu marido, quero dizer não é bem meu marido, é complicado.
— Então são só vocês dois?
— Sim. — pensou bem e preferiu não falar dos meninos por enquanto.
— Como vieram parar aqui?
— Eu... — antes que pudesse dizer os outros dois se aproximavam chamando ele.
, Eu não acho esse lugar no mapa, não faço ideia de onde a gente está e para completar estamos sem sinal de rádio e Paul disse que o GPS quebrou. — disse o loiro de olhos azuis.
— Esqueceu de dizer Allam que a culpa é sua que colocou o equipamento todo em cima dele, — disse o moreno e ao vê-la atrás da árvore — Cara, queria ter sua sorte, mal chegou e já achou uma namorada. — Paul deixou ele constrangido.
— Parem com isso ela é casada, ou quase isso, não é? — olhou para ela que confirmou.
— Ainda assim, eu só achei conchas. — Paul contestou e ela achou graça.
— Agradeça, pelo menos não picam. — Allam contrariado coçando o pescoço e os braços.
— Vocês são uns ogros. Por favor senhorita perdoe a falta de educação, eu sou e esses são meus amigos Paul — ele lhe estendeu a mão dando uma piscada — e Allamberg da Inglaterra.
— Pode me chamar só de Allam, é um prazer. — também a cumprimentou e ela sorriu.
— E você como se chama. — não demonstrou, mas ficou interessado.
.
— É um prazer conhecê-la. — pegou de leve na mão dela a olhando nos olhos — Por acaso pode dizer onde estamos?
— Bem, na verdade não.
— Como assim, você não mora aqui? — Allam ficou confuso.
— Sim, mas é que eu também não sei onde é aqui.
— Ela disse que só mora ela e um cara aqui, mais ninguém. Você ia me dizer como veio parar aqui antes deles chegarem, então como foi?
— Eu estava em uma viagem de trabalho indo de barco para Christmas Island, houve um forte temporal, eu fui arremessada no mar e acordei aqui, sem alguns dentes.
— Nossa que história, exatamente quanto tempo tem isso. — Paul pensando coisas.
— Acredito que já tenha um ano ou mais, já desisti de contar.
— Waw! É muito tempo, e o cara que está com você? — quis saber a quanto tempo estavam juntos.
— O nome dele é e já estava aqui quando cheguei. Ai nossa! — se lembrou que havia deixado ele a um bom tempo e com certeza devia estar super preocupado — Eu preciso ir, desculpe nos falamos depois. — saiu correndo.
— Ei espera. — a chamou sem êxito.
— Nossa, que garota hein. ? — Paul balançava a mão dando tchau.
— O que é? — olhou para ele.
— Dá uma limpadinha — apontando para o queixo dele — está escorrendo a baba.
— Me deixa em paz.
, ele tem razão, está pingando. — Allam completou e caiu na risada com Paul.
— Rá rá rá, muito engraçado. Vamos, temos que montar o equipamento e as barracas, vai escurecer em algumas horas. — disse e os deixou rindo indo em direção ao avião — São uns babacas mesmo.

Minutos depois, chegava a casa fatigada, respirou fundo e então entrou mais tranquila. Ao vê-la, correu até ela a abraçando forte e a beijando aliviado.

— Eu estou bem, está tudo bem.
*(onde você estava? eu muito preocupado com você) — estava ofegante pois já havia andado de um lado para outro sem saber o que fazer.
— Eu estava na cachoeira, então eu ouvi o barulho e fui ver o que era.
*(não pode, é perigoso) — sinalizou bravo.
— Eu sei, mas eu já estou aqui não estou? Eles não parecem maus, não tinham armas, acho que podemos — antes que ela pudesse terminar ele a interrompeu.
*(não fique perto deles, não fala com eles, entendeu?)
— Mas não tem nada de mais.
*(por favor, promete para mim) — ele já havia visto e passado por muita coisa e não seria fácil confiar em ninguém.
— Tudo bem, eu prometo — preferiu não contrariá-lo — e como estão Miguel e Ji-hun?
*(choraram muito, estão dormindo agora).
— Eles devem estar com fome, eu vou cuidar deles agora, vá descansar. — ele assentiu lhe dando um beijo e saiu, e ela foi alimentá-los.

Por mais que tinha prometido, não podia deixar de saber mais sobre eles e sobre a possibilidade de sair daquela ilha. Por mais que estivesse feliz pela família que formou, a presença deles a lembrou de que aquele não era seu lugar e nem onde queria ver seus filhos crescerem, sem saber e aprender nada sobre o resto do mundo, totalmente isolados e convenhamos que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, ou seja, duas moças naufragarem e se apaixonarem por seus filhos. Então no outro dia saiu escondida dele para falar com os rapazes. Assim que se aproximou, foi cumprimenta-la.

— Bom dia. — ele disse sorrindo, de longe os amigos riam e debochavam dele e resolveram ir até eles.
— Bom dia, vocês estão se dando bem por aqui? — ela também sorriu cordialmente.
— Sim, já estamos acostumados com essa vida de acampar.
— Eu não posso demorar, só vim trazer isso, vocês podem precisar. — estava com uma penca de bananas e uma trouxinha com mangas e laranjas estendendo para ele.
— Comida de verdade? — Paul chegou já pegando das mãos dela deixando indignado — Finalmente! Muito obrigado. — sorriu para ela.
você é uma santa, obrigada por nos salvar de feijão enlatado e barras de cereais. — Allam disse a reverenciando e ela riu.
— Não tem de que, eu posso trazer mais depois.
— Isso seria ótimo. — Paul disse com a boca já cheia comendo a banana e recebeu um olhar de repreensão de .
— Não liga para eles, você não precisa se incomodar, nós estamos bem.
— Não estamos não. — Allam o contrariou descascando uma laranja.
— Não se preocupe, não é incomodo nenhum faço questão de ajudar.
— Obrigado. — ficou ainda mais encantado.
— Vocês vão ficar quanto tempo?
— Eu ainda não sei, possivelmente uma ou duas semanas, queremos explorar a ilha, tirar algumas fotos para registro, fazer coletas de vegetação para analise, estas coisas as vezes levam um bom tempo.
— Entendo, agora é melhor eu ir.
— Espera, você saiu correndo ontem, parecia preocupada, está tudo bem?
— Ah, sim está, não foi nada demais.
— Era por causa do... — havia esquecido o nome.
! É, ele não sabia onde eu estava e ficou preocupado, a um tempo atrás esse era o caminho de contrabandistas, eram pessoas muito perigosas e por isso ele é um tanto super protetor.
— Eu posso entendê-lo.
— Eu volto outra hora, até logo rapazes. — eles acenaram para ela, estavam comendo.
— Até logo.

“Uma ilha sem nome e solitário
Ligue-me com você de novo.”
- Islands / Super Junior

 

~ To be Continued... ~


N/A: Annyeonghaseyo... Sou a Pri, espero que gostem... Mais uma fic minha!!! *-*

N/B: Hello, aqui é a beta, só um pedido, gostou da fic, comenta... Vamos incentivar a autora a escrever mais capítulos maravilhosos!!
Unnie, amo suas fics!!! Qualquer erro na betagem me avisem no email - By: Pâms *-*


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